Serviço de Leitura de Sábado

Self-Realization Fellowship

CENTRO DO RIO DE JANEIRO

 

 

LEITURAS PARA SERVIÇOS
ENSINAMENTOS DE PARAMAHANSA YOGANANDA

 

KARMA – A LEI DA JUSTIÇA CÓSMICA
KARMA – THE LAW OF COSMIC JUSTICE

 

Volume I/36

Rio de Janeiro 22 de setembro de 2018

 

AFIRMAÇÃO

Ataque após ataque, meu anseio por Ti fará cair as muralhas da ilusão. Com os mísseis da sabedoria e com os implacáveis canhões da determinação, destruirei a fortaleza de minha ignorância.

(Sussurros da Eternidade)

 

PASSAGEM DA BÍBLIA – EVANGELHO DE SÃO LUCAS

Quando fores com o teu adversário ao magistrado, esforça-te para te livrares desse adversário no caminho; para que não suceda que ele te arraste ao juiz, o juiz te entregue ao meirinho e o meirinho te recolha à prisão. Digo-te que não sairás dali, enquanto não pagares o último centavo.

(12:58-59)

 

Comentário da Bíblia, por Paramahansa Yogananda

Com essa parábola, Jesus quis dizer o seguinte: “Qualquer devoto que, em introspecção, descubra que sua adversária – a lei kármica – o acusou perante o juiz da lei cósmica, deve orar para ser eximido de colher os resultados de suas más ações. A maioria dos condenados por este juiz é encarcerada na prisão do sofrimento, pelos guardas das tendências kármicas oriundas dos maus atos. Digo-lhe que você não poderá escapar do tribunal da lei cósmica e da lei do karma, que rege todas a ações humanas, enquanto não tiver saldado seu karma negativo com sofrimento e orações.”

Jesus fala da inescrutável lei de causa e efeito que governa todas as ações (lei do karma), a qual determina que, se uma pessoa realizou bons ou maus atos, deve colher os resultados positivos ou negativos dos mesmos. O mau karma é o grande adversário do homem, pois traz numerosos sofrimentos. É possível ficar parcialmente livre e, com o tempo, totalmente livre dos efeitos do mau karma, se orarmos continuamente pelo perdão do Juiz Divino, o Autor da lei cósmica que governa todas as vidas e todos os atos.

 

PASSAGEM DO BHAGAVAD-GITA

Os atributos (gunas) da Natureza (Prakriti) primordial desempenham todas as atividades. O homem cujo eu Superior esteja ilusoriamente identificado com o ego acredita ser o autor de todas as ações.”

(III-27)

 

Comentário do Gita, por Paramahansa Yogananda

A alma, a mente, o corpo, o cérebro, os sentidos, o mundo, o cosmos – tudo é criação do Espírito. O sábio, que não vê a si mesmo como arquiteto de coisa alguma (nem mesmo do próprio destino), não chora, nem ri, nem se perturba com os altos e baixos da dualidade. O egoísta nunca está satisfeito, seja rico, pobre, empregado ou rei do mundo. O homem divino é feliz num palácio ou numa cela monástica.

O indefeso gatinho, que depende da mamãe gata, continua bem satisfeito se for transferido de um palácio real para um depósito de carvão. Da mesma forma, um yogue, cujo ser está entregue a Deus, não se importa de receber o papel de príncipe ou de mendigo.

Se os seres humanos conseguissem sentir Deus em todas as suas ações, estariam livres de todo karma individual ou coletivo; realizariam todas as atividades guiados pela sabedoria divina, e não pelo egoísmo. Para entender essa passagem do Gita é necessário vivê-la diariamente, pensando em Deus no início, no meio e no fim de todas as ações.

  

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UMA HISTÓRIA SOBRE OS EFEITOS DAS AÇÕES QUE SEMPRE NOS PERSEGUEM
Paramahansa Yogananda

Pedro e João se odiavam mutuamente. Quando crianças, viviam brigando no colégio e, depois de adultos, passaram a ser rivais ferrenhos no competitivo comércio de calçados. Um dia, chegaram até a lutar pela mão da mesma linda jovem e Pedro, sendo um pouco mais forte do que o adversário, deu-lhe uma bela surra e foi embora com a moça, deixando João inconsciente na calçada. Quando voltou a si, João sentiu-se envergonhado, triste e desgostoso. Decidido a se vingar de Pedro algum dia, transferiu seus negócios da Filadélfia para Miami.

Apesar de Pedro logo esquecer os insultos, ferimentos e inconveniências que causara a João, este último, sendo a parte ofendida, não esqueceu a mágoa contra Pedro. Todas as noites, antes de dormir, afirmava: “dia a dia, de todos os modos, perdôo cada vez mais a Pedro.” Mas, depois de vários meses, percebeu que durante a afirmação diária de perdão estava, na verdade, cozinhando a vingança em fogo baixo, pois, no fundo da mente, estivera realmente orando pela oportunidade de acertar as contas com Pedro.

Finalmente Pedro, involuntariamente atraído a Miami pelo estranho poder de atração do ódio mútuo, foi passar lá as férias. Longe de imaginar qualquer problema, saiu a passear certa noite, embora estivesse escuro e caísse uma garoa. Caminhando por uma rua deserta, passou sob o telhado de um galpão aberto, ao lado de um depósito. Sem que Pedro soubesse, João o vira e seguia furtivamente seus passos, calçando sapatos de sola de borracha. Estava pronto a cobrar, com juros, a surra que levara de Pedro na Filadélfia.

A garoa se transformou em chuva, abafando ainda mais os passos de João, que se aproximava cada vez mais de sua vítima. Foi com satisfação que notou no chão, à sua frente, uma telha grande, que certamente despencara do telhado do galpão. Assim que Pedro passou pela telha caída, João a apanhou e, com toda a força, golpeou a cabeça de Pedro, fazendo-o perder os sentidos.

Pedro ficou desmaiado no chão frio, ao lado do galpão, por muito mais tempo que João ficara na calçada da Filadélfia, após levar a surra de Pedro. Passaram-se duas horas. O céu cessara seu pranto e agora sorria com raios de lua, quando Pedro recobrou os sentidos. Ficou confuso, quando se viu deitado no meio de uma poça de sangue, no chão frio. Com a luz do luar, que espiava pelo vão do telhado, Pedro viu a telha, muda mas eloqüente, caída perto de sua cabeça. Olhando para o buraco no teto do galpão, pensou: “Mas que azar! É óbvio que esta telha se desprendeu com a chuva! Estava aqui embaixo no exato momento em que ela caiu, golpeando minha cabeça.”

O raciocínio de Pedro é uma ilustração de nossa tendência a esquecer que os malefícios passados são a causa dos infortúnios presentes, embora os resultados auto-criados das ações nunca nos esqueçam. As conseqüências de boas ou más ações nos perseguem silenciosamente, através das trevas de nossa ignorância. Assim como a vaca consegue encontrar seu bezerrinho em meio a mil outros, também os resultados de nossos atos, nesta e em outras vidas, nos perseguem tenazmente, encontrando-nos onde quer que estejamos. Se Pedro tivesse pesado as conseqüências de sua ação depois de surrar João e se tivesse feito as pazes com o rival, não teria ocorrido a gestação de um resultado prejudicial a ele, no sombrio ventre do futuro.

A moral é: aumente o poder da sabedoria e da meditação para queimar as sementes não germinadas das más tendências latentes em sua mente. Pense bem antes de agir, pois depois que o tiver feito, terá que colher o resultado específico da ação. Lembre-se que todo ato deixa traços, que são armazenados como tendências na mente subconsciente. Se você não contrabalançar o potencial das más tendências armazenadas, tentando ser melhor a cada dia, é impossível saber o que será de você no futuro, quando as tendências-sementes brotarem de repente, sob circunstâncias favoráveis.

Uma pessoa só pode estar segura de si mesma se meditar cada vez mais profundamente e, no fogo da auto-realização e da calma, queimar todas as sementes das tendências negativas subconscientes ainda por germinar. Assim, assadas no fogo da sabedoria, as sementes das más tendências não poderão brotar. Portanto, não fique ocioso, por mais grandioso que você seja. Continue a queimar o mal latente das encarnações esquecidas, avivando fogueiras cada vez maiores de bondade na meditação.

 

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DIZE-ME – SERÁS MEU?

Pouco me importa se tenho que sofrer todas as dores e renunciar a todos os desejos terrenos – se, no fim, eu Te encontrar!

Não me importa se tenho que viver sextilhões de vidas, passando pelas agonias do nascimento e pelas aflições da morte; deixando para trás uma pilha de destroçadas formas carnais – se, finalmente, eu Te encontrar!

Senhor, dize-me com certeza que serás meu! Então, percebendo a imensidão da dádiva de Ti mesmo e a pequenez de qualquer presente ou sacrifício com que eu possa retribuir, pacientemente atravessarei centenas de milhares de anos como se fossem apenas um dia.

Dize-me – serás meu?

(Sussurros da Eternidade)

 

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KARMA – A LEI DA JUSTIÇA CÓSMICA

Paramahansa Yogananda

Karma é a lei da ação, ou justiça cósmica, que se baseia em causa e efeito. Cada ato seu, bom ou mau, tem um efeito específico sobre sua vida. Os efeitos das ações realizadas nesta vida permanecem alojados no subconsciente, e os que vieram de existências passadas estão ocultos no superconsciente, prontos a brotar, como sementes, sob a influência do meio-ambiente adequado. O karma decreta que aquilo que semearmos será inevitavelmente colhido.

Todos os acontecimentos na vida do ser humano são governados pela inexorável lei de causa e efeito. O cérebro humano pode ser comparado a uma balança invisível com dois pratos, um de cada lado. Ali são pesadas todas as boas e más ações de um indivíduo. Quando o mau karma faz inclinar a balança psicológica, o mal predomina no indivíduo. Quando as boas ações têm mais peso, os bons resultados jorram na vida da pessoa, pela mente subconsciente e superconsciente. A mente subconsciente é um reservatório para o qual fluem continuamente os efeitos das ações passadas, distantes e recentes, cujos registros estão no cérebro.

O ser humano cria o próprio destino

A lei da ação, ou karma, não é fatalismo. Deus, bondoso e onipresente, nunca nos castiga ou recompensa, pois já nos deu o poder de autopunição ou autorrecompensa, pelo uso ou abuso da razão e da vontade. É você mesmo quem transgride as leis da saúde, da prosperidade ou da sabedoria e se pune, consequentemente, com doença, pobreza ou ignorância.

Provavelmente, você já sofreu bastante no passado. Está na hora de obter a liberdade condicional da prisão de seus próprios hábitos indesejáveis. Você só precisa pronunciar as palavras: “Estou livre”, para que o carcereiro de suas convicções errôneas obedeça à ordem e o liberte.

O ser humano pode tornar-se livre do karma

Por causa de maya, ou ilusão cósmica, a razão e a vontade do ser humano estão soterradas pela ignorância. Enquanto o ouro da sabedoria não for extraído e transformado em afiados instrumentos psicológicos, as ervas daninhas que crescem no jardim da consciência humana não poderão ser arrancadas. Ficar tentado é natural, mas conseguir vencer a tentação significa grandeza e liberdade. Assim você será guiado apenas pela livre vontade e pelo livre arbítrio.

Não desanime, nem alimente o pensamento de que é um pecador e que Deus jamais virá a você – com isso, a vontade fica paralisada. O pecado é uma ilusão temporária e o que está feito, está feito; não lhe pertence mais. Mas não repita o mesmo erro.

Negue o karma. Muitas pessoas interpretam mal seu significado, adotando uma atitude fatalista. Você não tem que aceitar o karma. Se eu disser que alguém está atrás de você, pronto a feri-lo porque, certa vez, você o feriu, e você responder: “Bem, é meu karma”, esperando passivamente a pancada, é claro que a receberá! Por que não tenta apaziguar o agressor? Se o acalmar, poderá diminuir o rancor que ele sente e acabar com seu desejo de agressão.

Quando você percebe que é filho de Deus, que karma pode ter? Deus não tem karma. E você também não tem nenhum karma, quando sabe que é filho do Criador. Todos os dias, afirme: “Não sou mortal; não sou o corpo. Sou filho de Deus.” Isso é praticar a presença de Deus. Ele está livre de karma e você é feito à Sua imagem; portanto, também está livre de karma.

A melhor maneira de banir a consciência de fraqueza é não pensar nela; do contrário, você se sentirá desanimado. Faça entrar a luz, e será como se as trevas nunca tivessem existido. Nesse pensamento está uma das maiores inspirações de minha vida. Quando a luz entra numa caverna onde a escuridão existe há milhares de anos, faz com que as trevas desapareçam instantaneamente. Também nossos defeitos e fraquezas desaparecem, quando deixamos entrar a luz de Deus. As trevas da ignorância nunca mais conseguirão entrar.

Essa é a filosofia de vida que devemos seguir. Não amanhã, mas hoje – neste minuto. Se a pessoa é suficientemente determinada e medita bastante, pode destruir, nesta vida, todo o karma negativo de vidas passadas. As pessoas sofrem os longos efeitos das ações passadas, cometidas por ignorância, por não usarem os antídotos que podem erradicar as tendências ocultas decorrentes desses atos.

Como acelerar a evolução

Somos feitos à imagem de Deus. Somos eternamente os mesmos, tal como Deus. A ignorância não é nossa verdadeira natureza; surgiu do mau uso do livre arbítrio da alma. Pode ser removida instantaneamente ou em alguns anos, seguindo os ensinamentos corretos.

Para os primeiros colonizadores dos Estados Unidos, a viagem de uma costa a outra levava de seis meses a um ano, porque o único veículo de que disponham eram as carroças. Teriam rido se alguém lhes dissesse que, cem anos mais tarde, seria possível atravessar o país em poucas horas, de avião.

A Self-Realization Fellowship ensina técnicas eficazes e duradouras para acelerar a evolução humana. O fogo da meditação constante e profunda cauteriza os sulcos cerebrais que retém os registros das tendências kármicas negativas de vidas passadas, assim vencendo o mal ali oculto.

Já que todos os efeitos ou sementes de nossas ações passadas, ou karma, podem ser destruídos torrando-os no fogo da meditação e da concentração, na luz da superconsciência e nas ações corretas, não existe o que chamamos de destino. Você faz seu próprio destino. Deus lhe deu independência, e você é livre para bloquear o poder divino ou deixá-lo entrar.

A força que você tem para vencer as dificuldades é maior do que as dificuldades a vencer. Você pode consertar os seus erros, porque Deus lhe deu razão e vontade. Primeiro, tome a decisão; depois mantenha a vontade firme no objetivo, até atingi-lo. Discipline-se, para desenvolver seus poderes adormecidos. Resgate sua divindade! Una sua consciência à de Deus, e receba as bênçãos diretamente da mão divina.

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Trechos da Bíblia: Versão de João Ferreira de Almeida
Trechos da Autobiografia de um Iogue: Tradução oficial                    Rio de Janeiro – Cópia 2004/05/08\11/14/17

 

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