Serviço de Leitura de Sábado

Self-Realization Fellowship

CENTRO DO RIO DE JANEIRO

 

 

LEITURAS PARA SERVIÇOS
ENSINAMENTOS DE PARAMAHANSA YOGANANDA

 

UNIFIQUE SUA VONTADE COM O INFINITO
UNIFY YOUR WILL WITH THE INFINITE

 

Volume II/5

Rio de Janeiro, 16 de fevereiro de 2019

 

AFIRMAÇÃO

Possuo o poder criativo do Espírito. A Inteligência Infinita me guia e resolve todos os problemas.

(Afirmações Científicas de Cura)

 

PASSAGEM DA BÍBLIA – EVANGELHO DE SÃO MARCOS

E, adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra; e orava para que, se possível, lhe fosse poupada aquela hora. E dizia: Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e, sim, o que tu queres.

(14:35-36)

 

Comentário da Bíblia por Paramahansa Yogananda

Na passagem acima, Jesus ora encarecidamente ao Pai transcendental, oculto atrás das paredes celestiais do éter, da mesma forma que um filho predileto reza confiantemente a seu pai. Jesus, como um menininho, diz: “Pai Celestial, Tu podes fazer tudo. Então, por que não afastas de mim o cálice da crucificação?” No entanto, enquanto pedia para ser poupado da terrível provação e da tirania da Ilusão Cósmica, percebeu sua pequena fraqueza interior e, imediatamente, acrescentou: “Pai Celestial, não é minha vontade, temerosa de enfrentar o teste, que deve ser atendida, e, sim, Tua vontade justa, guiada pela sabedoria.”

Muitos interpretaram erradamente as palavras de Jesus: “Contudo, não seja o que eu quero, e, sim, o que tu queres”, acreditando que significassem que o homem não deveria usar o livre-arbítrio. Mas isso é um equívoco, pois Deus conferiu, para uso exclusivo do homem, a liberdade de escolha. Um martelo não possui vontade própria; se alguém não o manejar, ficará onde for colocado. Mas o homem tem livre-arbítrio, com o qual pode ser um instrumento divino ou não. O Criador não quer que os seres humanos sejam como um martelo inativo, fazendo mecanicamente o que Deus desejar. Em vez disso, quer que usem o livre-arbítrio para realizar os desejos que Ele tem para a Terra. Jesus nunca aconselhou as pessoas a não usarem a vontade. Foi quando viu que sua vontade estava sendo dobrada pela ilusão, causadora de sofrimento, que orou: “Em vez de minha vontade errada, que se cumpra na Terra Tua vontade guiada pela sabedoria e causadora da felicidade.”

Todo estudante de metafísica deve lembrar-se que orientar sua vontade de acordo com a sabedoria, ou de acordo com Deus, é a mesma coisa. A vontade divina não é autocrática, nem irracional. É sempre dirigida pela sabedoria. Portanto, guiar nossa vontade pela sabedoria interna abstrata ou tê-la inspirada pela sabedoria divina são uma única coisa.

Quando Jesus viu que sua vontade estava temporariamente escravizada pelo medo da iminente provação na cruz, livrou-se da ilusão, usando o livre-arbítrio para pedir ao Pai que orientasse sua vontade somente pela vontade divina inspirada pela sabedoria.

 

PASSAGEM DO BHAGAVAD-GITA

Entender a verdadeira natureza do karma (ação) é muito difícil. Para compreender a ação correta, deve-se entender a natureza contrária da ação incorreta, e também a natureza da inação .”

(IV:17)

 

Comentário do Gita por Paramahansa Yogananda

Ação correta: pode-se dizer que é uma ação genuína, quando o ato realizado tende a despertar a consciência da alma.

Ação contrária: assim como as ações corretas são como beber o mel puro da bondade, os atos maus, ou contrários, são como ingerir o mel envenenado da maldade. Ações que contribuem para a doença, a infelicidade e a ignorância devem ser evitadas. Indulgências desnecessárias, como beber, fumar e andar em más companhias são portais abertos para o desconforto físico e mental.

Inação: A verdadeira inação ocorre quando o devoto se liberta, pois então eliminou todas as formas compulsórias de ação: atingiu o estado de inação (isto é, a liberdade completa da necessidade de desejar, e do desejo de ação) que é característico de Deus Pai. O iogue livre fervilha com incessante alegria interior, quer esteja totalmente imóvel, quer esteja ativamente ocupado. Realizar atos desejando apenas agradar a Deus é, portanto, considerado “inação”. Depois de alcançar o estado de inação, o caminho para a libertação do devoto fica desobstruído.

Babaji, Lahiri Mahasaya, Sri Yukteswarji e todos os grandes mestres estão muito ocupados em atos espiritualmente úteis à humanidade, embora todos tenham chegado ao estado de inação ou libertação.

Lahiri Mahasaya, o maior intérprete espiritual do Gita, trabalhou durante trinta e cinco anos como funcionário público e, nesse período, alcançou a emancipação espiritual total. Nos últimos anos de sua vida ele já não dormia, empregando todas as horas do dia em instruir os discípulos que a ele vinham de todas as partes da Índia; as noites eram passadas na companhia de monges muito adiantados, que preferiam estar com ele nas horas mais calmas.

O Senhor Krishna disse: “Embora eu tenha obtido todas as coisas, continuo a trabalhar, sem nenhum desejo.”

Jesus também trabalhou arduamente no mundo – pregando para multidões, curando milhares de pessoas, de males físicos, mentais e espirituais, e estabelecendo as bases para a difusão mundial de sua mensagem divina. Ele não buscou o isolamento de uma caverna, nem parou sua obra libertadora, embora soubesse que, se se retirasse da vida pública, poderia evitar seu assassinato.

Como Deus, Jesus continuou a trabalhar sem o louvor dos homens. Assim, pôde dizer, um pouco antes da crucificação: “Pai…eu Te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer.”[1]

 

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DUAS RÃS EM DIFICULDADES
Paramahansa Yogananda

Era uma vez uma rã bem grande e gorda, e outra rãzinha bem esperta, que juntas saltitavam por aí, quando tiveram o infortúnio de cair dentro de um balde de leite fresco. Lá ficaram nadando horas e horas, esperando que, de alguma forma, conseguissem sair; os lados do balde, porém, eram lisos e escorregadios, e a morte parecia certa.

Quando a rã grande ficou exausta, perdeu o ânimo. Parecia não haver nenhuma esperança. “Por que continuar a lutar contra o inevitável? Não consigo mais nadar”, gemeu. “Não pare! Não pare!” insistiu a rãzinha, sempre nadando em círculos dentro do balde. E continuaram mais um pouco. Mas a rã grande decidiu que não adiantava. “Irmãzinha, é melhor desistir”, coaxou, ofegante. “Vou parar de lutar.” E morreu afogada.

Agora restava apenas a rãzinha, que pensou consigo mesma: “Bem, desistir é morrer, de modo que continuarei a nadar.” Mais duas horas se passaram, e as magras perninhas da perseverante rãzinha estavam quase paralisadas de exaustão. Tinha a impressão de que não poderia continuar nem mais um minuto. Contudo, pensando na amiga morta, repetiu: “Desistir é virar refeição na mesa alheia, então continuarei nadando até morrer – se é que devo morrer – e continuarei tentando – enquanto há vida, há esperança!”

Inebriada pela determinação, a rãzinha continuou, nadando e nadando em volta do balde, e agitando o leite em pequenas ondas brancas. Depois de mais algum tempo, já entorpecida pelo cansaço, e achando que estava prestes a se afogar, sentiu, de repente, uma coisa sólida embaixo das perninhas. Para seu espanto, viu que estava sobre um bloco de manteiga que ela mesma havia batido, com seu incessante movimento! Então, a rãzinha vitoriosa pulou do balde de leite para a liberdade.

 

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CUIDANDO DO JARDIM DA VIDA

Usarei corretamente todos os poderes que Deus me concedeu. Ele me ajudará, se eu me ajudar e Lhe pedir que traga êxito aos meus esforços.

Enterrei as decepções mortas nos cemitérios do ontem. Com novos esforços criativos, hoje vou arar o jardim da vida. Nele, plantarei sementes de sabedoria, saúde, prosperidade e felicidade. Regarei as sementes com auto-confiança e fé, e esperarei que o Divino me dê a colheita justa.

Se nada colher, serei grato pela satisfação de ter me esforçado ao máximo. Agradecerei a Deus por poder tentar muitas e muitas vezes, até que, com Sua ajuda, eu obtenha êxito. Agradecerei a Ele, quando tiver realizado todos os desejos legítimos de meu coração.

(Meditações Metafísicas)

 

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UNIFIQUE SUA VONTADE COM O INFINITO
Paramahansa Yogananda

Todo ser humano representa o infinito poder de Deus e deve manifestar esse poder em tudo. Sempre que quiser produzir alguma coisa, não dependa de fontes externas: interiorize-se profundamente e busque o Manancial Infinito. Todos os métodos de sucesso empresarial e todas as invenções, vibrações musicais, pensamentos e livros inspiradores estão registrados nos anais divinos.

A força de vontade do ser humano é a grande geradora de energia. Com força de vontade e disposição, pode-se utilizar, rapidamente, o infinito depósito de força interior. Uma pessoa que não quer desempenhar suas tarefas diárias sente falta de energia. Um homem que trabalhe arduamente, com boa disposição, é sustentado, física e mentalmente, pela corrente cósmica.

Quem aprende e pratica, com vontade, os métodos metafísicos de vida, canalizando conscientemente a inexaurível fonte de energia vital, fica livre das muitas limitações físicas.

A maioria das pessoas alimenta o desejo de realizar pelo menos uma coisa na vida com perfeição, como tocar piano ou pintar. No entanto, são preguiçosas demais, e não se dão ao trabalho de investir no esforço que é necessário para atingir a perfeição, em qualquer atividade. Ano após ano, executam ineficazmente suas atividades, e se desculpam dizendo: “Não tive tempo de praticar ou de achar um bom professor e, de qualquer forma, não sou um gênio.” Um talento extraordinário não é tão necessário quanto um propósito inabalável, além de aplicação e esforço constante. Se um indivíduo de inteligência média praticar cinco horas de piano por dia, com um bom professor, poderá se tornar um hábil pianista. Igualmente, a maioria das pessoas deixa de realizar seus desejos materiais, mentais e espirituais, por falta de objetivo definido e de constância no esforço.

Como desenvolver a força de vontade

Vou narrar uma experiência que tive quando era bem pequeno. A vontade de um bebê é denominada “vontade fisiológica”. Geralmente, quando ele chora, significa que quer alguma coisa. Chora por causa de uma condição física; assim, a primeira vontade é a fisiológica. A vontade oriunda de uma condição fisiológica recebe o nome de “vontade fisiológica”. Depois disso, quando o bebê cresce e ouve a vontade materna, pode-se dizer que ele tem uma “vontade mecânica” ou irracional, pois sua própria vontade é guiada pela da mãe.

Lembro que, quando eu tinha vontade mecânica, sempre fazia exatamente o que mamãe mandava, e me apelidaram de “anjo”. Um dia, fui levado até a mercearia, de carrinho. Lá, vi balas cor de laranja, que me atraíram muito. Pedi ao criado, que me acompanhava, que me comprasse algumas, mas ele se recusou. Fiquei quieto, e ele me levou para casa.

Jantei e, depois, contei à minha mãe que queria umas balas cor de laranja. Mas ela disse:””Não, vá dormir.” Esperei um pouco, e repeti: “Mamãe, quero aquelas balinhas cor de laranja.” A resposta materna foi um pouco mais enfática: “Não! Vá dormir” Gritei: “Quero minhas balas cor de laranja!” Continuei exigindo, inflexível, até que mamãe teve que ir até a mercearia, acordar o dono e comprar as balas. Fiquei extremamente feliz. Por quê? Porque, de repente, eu tinha usado a vontade. Foi uma sensação maravilhosa porque, pela primeira vez, exercera minha vontade. No entanto, na manhã seguinte eu já estava com fama de criança voluntariosa, pois conseguira o que queria, uma única vez.

Se eu decidisse que queria algo que eu sabia não ser nocivo, meus parentes cediam. Lembro-me, até hoje, que sempre ouvia a voz da razão e, quando eu estava errado, não me importava ser corrigido. Mas quando eu tinha razão, permanecia firme, mesmo que a família inteira ficasse contra mim.

Mães, lembrem-se de educar a vontade de seus filhos. Não enfraqueçam a vontade das crianças, negando-lhes tudo só porque são pequenas. Quando elas insistirem numa coisa justa, não as tachem de teimosas. Não cerceiem sua liberdade; façam sugestões com amor, e tentem compreender seus pequenos desejos. Se tentarem ganhar tempo batendo nelas, perderão tempo. Argumentem com a criança e, depois, não digam mais nada. Deixem que ela receba seus pequenos e duros golpes; assim compreenderá e aprenderá muito mais depressa.

Muitas vezes, os pais impõem sua vontade aos filhos. Por isso nunca gostei de rezar, quando era pequeno. Não gostava porque não entendia. Quando, porém, aprendi a orar com a alma, todos em casa me ouviam. Dê liberdade a seu filho e apenas sugira, com amor, o que acha que é correto, porque é preciso que a força de vontade da criança se desenvolva.

Depois da “força de vontade mecânica” da criança, vem a “força de vontade cega” do adolescente. Esta última é como uma arma disparada para o ar, cujo único resultado é o barulho. Pessoas muito jovens gastam a dinamite da vontade. Depois, vem a “vontade explosiva”. Quando o adolescente cresce um pouco mais, explode sua vontade em paixões e coisas imprudentes. Em geral, depois de levar alguns tombos, o jovem aprende.

Diz-se que a abelha gosta tanto do perfume do lótus que fica um longo tempo pousada na flor, bebendo o mel. Enquanto o faz, a flor fecha suas pétalas e a abelha morre presa. E temos também o alce, que fica encantado pela música da flauta. Quando um caçador toca a flauta, o alce vai até ele, encontrando a morte. E o artifício do elefante domesticado é usado para capturar outros elefantes.

Um grande santo disse que a abelha perece por amar o perfume, e o alce por amar a música; o elefante perde a liberdade por amar o sentido do tato. E o que dizer do homem, que tem que lutar contra todos os sentidos? O santo aconselhava: “Não seja escravo dos sentidos. Não permita que nada o controle.” E eu digo: “Lembre-se, todos os seus sentidos são feitos para servi-lo. Devem ser subservientes à sua vontade.”

Guiados pela “Vontade Divina”

Seja qual for sua posição na vida, é você quem se colocou lá. A vontade humana, quando guiada pela ignorância, só causa confusão e problemas. Mas, se estiver sintonizada com a sabedoria, poderá ser guiada pela “Vontade Divina”. Carregar um pensamento, constantemente, com força de vontade dinâmica, significa dar-lhe vida, até que se transforme em força externa. Quando a força de vontade se desenvolve a esse ponto, você pode controlar seu destino.

Primeiro, descubra o que você quer; certifique-se de que é seu por direito. O meio para ter certeza disso, é pela meditação. Quando a mente se acalma, com que rapidez, suavidade e beleza você percebe tudo! É assim que descobrirá o que realmente precisa. Depois, peça auxílio divino para guiá-lo à ação correta, com a qual realizará sua necessidade. Aja de acordo com a orientação interna que receber. Use toda a força de vontade para atingir seu objetivo, mantendo a mente em Deus o tempo todo. Então seus esforços serão coroados de sucesso, pois o Poder Cósmico pode ser provado, quando se aplica a lei certa.

[1] João 17:1- 4

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Trechos da Bíblia: Versão de João Ferreira de Almeida
Trechos da Autobiografia de um Iogue: Tradução oficial                    Rio de Janeiro – Cópia 2004/05/08\11/14/17

 

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