Serviço de Leitura de Sábado

Self-Realization Fellowship

CENTRO DO RIO DE JANEIRO

 

 

LEITURAS PARA SERVIÇOS
ENSINAMENTOS DE PARAMAHANSA YOGANANDA

 

POR QUE MORREM NOSSOS ENTES QUERIDOS
WHY OUR LOVED ONES DIE

 

Volume I/21

Rio de Janeiro 16 de junho de 2018

 

 

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Observação: esta é uma tradução não-oficial. Não foi revista nem aprovada pela Sede Central.

 

AFIRMAÇÃO

Envia o sol de Tua sabedoria para me guiar em venturosos dias de conquista; e a lua de Tua misericórdia quando atravesso escuras noites de tristeza.

(Sussurros da Eternidade)

PASSAGEM DA BÍBLIA – EVANGELHO DE SÃO JOÃO

Quando Maria chegou ao lugar onde estava Jesus, ao vê-lo, lançou-se-lhe aos pés, dizendo: Senhor, se estiveras aqui, meu irmão não teria morrido.

Jesus, vendo-a chorar, e bem assim os judeus que a acompanhavam, agitou-se no espírito e comoveu-se. E perguntou: Onde o sepultastes? Eles lhe responderam: Senhor, vem e vê.

Jesus chorou.

Então disseram os judeus: Vêde quanto o amava!

(João 11:32-36)

Comentário da Bíblia por Paramahansa Yogananda

Quando Jesus, humano e divino que era, viu Maria e os judeus chorando, sentiu, com a compaixão universal que possuía, as vibrações daquela dor em seu grande espírito. E chorou, não por estar oprimido pela tristeza, e sim porque seu coração, meigo e divinamente sensível, sentiu o imenso desespero das amadas discípulas Marta e Maria, e dos amigos delas.

 

PASSAGEM DO BHAGAVAD-GITA

Ó Bharata, Arjuna, Aquele que habita nos corpos de todos é imperecível. Portanto, não te aflijas por nenhuma criatura.

(II-30)

Comentário do Gita por Paramahansa Yogananda

Assim como o sonhador continua sendo a mesma pessoa, apesar de testemunhar sonhos diferentes a cada noite, também a alma invisível, sonhando os corpos de muitas encarnações, permanece imutável. Sabendo que os corpos de todas as criaturas são borbulhas espumantes no sonho cósmico de Deus, você não deve se lamentar quando qualquer corpo manifestado no sonho cósmico volta para o Oceano Infinito. É natural, para os seres humanos, prantear a perda dos parentes. Mas o Bhagavad Gita indica a atitude mental correta para ficar livre do sofrimento.

Assim como, no sonho, a consciência básica do sonhador continua a mesma, também o Espírito criador-do-sonho-cósmico permanece imutável, mesmo depois de absorver algumas de todas as manifestações materiais do sonho-cósmico. E, assim como a imaginação do sonhador retém todos os elementos do que sonhou, também a consciência de Deus retém, para sempre, as imagens oníricas de todos os seres humanos. Em vez de chorar inconsolavelmente a perda de um parente humano, devemos entrar em contato com Deus que, para satisfazer os desejos de um devoto, pode fazer com que qualquer ente querido desaparecido seja instantaneamente visível.

Algumas ondas estão na superfície do oceano; outras vão para o fundo, todas, porém, estão no oceano, a ele unidas. Da mesma forma, os seres humanos, quer flutuando, em “vida”, na superfície do Âmago Cósmico, quer ocultos em seu interior pela “morte”, estão igualmente em casa no Oceano Eterno.

 

* * *

O CERVO DE ESTIMAÇÃO

Na Autobiografia de um Yogue, Paramahansa conta o seguinte incidente, ocorrido logo depois de ter fundado a escola da Yogoda Satsanga em Ranchi, Índia, em 1917.

Com 100 mil m² de terra fértil à nossa disposição, estudantes, professores e eu nos deliciávamos com períodos diários de jardinagem e de trabalho ao ar livre. Tínhamos muitos animais de estimação, inclusive um pequeno cervo, ternamente idolatrado pelas crianças. Eu também amava o pequeno cervo, a ponto de permitir que dormisse em meu quarto. Ao raiar a madrugada, a criaturinha, aproximava-se, tropeçante, de minha cama, para uma carícia matutina.

Um dia, quando certos assuntos exigiram minha atenção na cidade de Ranchi, alimentei o animalzinho mais cedo do que de costume. Disse aos meninos que não lhe dessem comida até o meu regresso. Um deles desobedeceu e lhe deu uma grande quantidade de leite. Quando voltei à tarde, tristes novas me esperavam:

– O cervo está quase morto, devido à superalimentação, disseram-me.

Em lágrimas, coloquei o bichinho inanimado em meu colo. Orei piedosamente a Deus, para que poupasse sua vida. Horas depois, a criaturinha abriu os olhos, ficou de pé e caminhou, muito fraca. A escola inteira gritou de alegria.

Naquela noite, porém, aprendi uma lição profunda, que jamais esquecerei. Eu permanecera velando o animalzinho até duas horas da madrugada, quando adormeci. O pequeno cervo apareceu-me em sonho e disse:

– Você está me prendendo. Por favor, deixe-me ir; deixe-me ir!

– Muito bem – respondi em sonho.

Acordei imediatamente e gritei: – Meninos, o pequeno cervo está morrendo! – As crianças correram para junto de mim..

Precipitei-me para o canto do quarto onde colocara o animalzinho querido. Ele fez um último esforço para se levantar, cambaleou em minha direção e em seguida caiu a meus pés, morto.

De acordo com o karma de grupo que guia e regula o destino dos animais, a vida do pequeno cervo chegara ao fim, e ele estava pronto para progredir a uma forma mais elevada. Entretanto, com meu profundo apego, que mais tarde reconheci ser egoísta, e com minhas preces fervorosas eu conseguira reter aquela vida nas limitações da forma animal, enquanto sua alma lutava por se libertar. A alma do pequeno cervo fez sua súplica em sonho porque, sem minha amorosa permissão, não podia ou não queria partir. Assim que concordei, a alma se foi.

Toda tristeza me abandonou; compreendi mais uma vez que Deus quer que Seus filhos amem a cada coisa como parte Dele, e que não se enganem pensando que a morte é o fim de tudo.

O homem ignorante vê apenas o muro intransponível da morte que, aparentemente, oculta para sempre os amigos queridos. Mas o homem sem apego, que ama os outros como expressões do Senhor, compreende que na morte os seres amados apenas regressam para sorver da alegria em Deus.

* * *

A TÊNUE CHAMA DO MEU AMOR

Ó Tu, Perfume de todos os corações e de todas as rosas, não importa quantos dias de ardente tristeza cruzem o portal de minha vida para me sondar e testar. Com Tua bênção, espero que me façam recordar dos erros que me mantiveram afastado de Ti.

Não importa se tudo me é tirado pelo destino criado por mim mesmo; mas exijo que Tu, que és meu, protejas a tênue chama de meu amor por Ti.

(Meditações Metafísicas)

***

POR QUE MORREM NOSSOS ENTES QUERIDOS
PARAMAHANSA YOGANANDA

Deus não ficou satisfeito em criar só frutas, flores e belas paisagens para distrair o ser humano. Ele próprio assumiu a forma dos pais, para proteger o recém-nascido. E, não satisfeito em guardar o homem por meio dos imperiosos e instintivos sentimentos que os pais têm pelos filhos, Deus tomou a forma dos amigos, para estender Seu amor ilimitado ao homem. Assim, o amor divino brinca de esconder nos corações humanos.

O bebê cresce amando os pais; torna-se adulto, os pais morrem, e ele sente a dor do amor paterno perdido. Busca consolo, apaixonando-se por alguém do sexo oposto, e sente o poderoso amor conjugal dominar seu coração, eclipsando todas as outras formas de amor.

À medida que o tempo passa, perde o ardor inicial do amor conjugal e se pergunta: “Para onde fugiu meu amor tão arrebatador? Por que se desvaneceu como um lindo sonho?”

Casais idosos desenvolvem, mutuamente, apego físico e compreensão amistosa, mas nunca mais conseguirão se amar com o amor apaixonado da juventude. O amor se oculta por trás do véu do apego material e, na maioria das vezes ali permanece oculto, sem nunca sair para revelar a forma que transmuta o coração.

Quando seus pais morrerem e você perder este amor, e quando estiver velho e não puder mais sentir o ardor do amor conjugal, lembre-se que nenhum amor se perde. O verdadeiro amor ainda está oculto no âmago de cada ser, e também nas flores e nas silenciosas estrelas, para que você possa reencontrá-lo e contemplá-lo, ornamentado com vestes de eterno esplendor, no lugar em que o amor que há em todos os seres cintila como a sempre luminosa poeira de estrelas.

Por que devemos amar aqueles que nos são próximos tão ardorosamente e para sempre, quando são apenas impermanentes quimeras de nossa fantasia? Se você ama seu marido porque ele tem dinheiro, então não sabe o que é o amor. Se você adora sua amada porque ela tem um belo corpo, também não sabe o que é o amor. Se ama seu amigo porque ele o ajuda com dinheiro, prestígio ou poder, não sabe o que é o amor. O amor não cresce no vazio. Nasce em relacionamentos paternos, conjugais e outros, ou em algum tipo de serviço. Apesar disso, o amor não pode ser aprisionado na cela da utilidade material ou psicológica.

O amor é a suprema utilidade em si mesma. Se o Amor Cósmico reinar em seu coração, será extremamente útil a você, pois trará felicidade imorredoura, sempre renovada – que nada mais pode lhe dar.

É por isso que, embora o Amor Cósmico espreite pelas pequenas janelas das várias formas de amor humano, tão logo você pense que O viu, ele foge de novo, até que você consiga contemplar o Ser Onipresente através da abertura ilimitada da Consciência Cósmica.

Por que a Natureza nos faz amar tanto certas pessoas e então, repentinamente, arrebata-as de nossa presença? A resposta é que o Amor brinca de esconde-esconde na vida e na morte, para que possamos continuar procurando, até encontrar Seu refúgio secreto na Onipresença.

A dor nos adverte das transgressões feitas às leis de higiene; cria, em nós, o desejo de ter saúde. A fome foi dada ao homem para que ele procure comida; a razão lhe foi dada para que a use continuamente, até encontrar resposta para todas as suas perguntas. Quando os entes queridos partem, ficamos com uma centelha de saudade que não morre, para que possamos reavivá-la até transformá-la em chama de sabedoria, em cuja luz possamos ver todos os seres amados que se foram.

Quando a morte é benéfica

 Com a morte das pessoas chegadas, aprendemos a sondar o mistério da vida e a dividir com outros o amor que, até aquele momento, sentíamos apenas pelos que morreram. A morte é um portal, por onde a alma entra no Reino Imortal quando deixa o transitório corpo.

A morte ensina a não depositarmos confiança na efêmera carne, e sim no Deus eterno. Portanto, a morte é uma amiga. Não devemos lamentar indevidamente a morte dos entes queridos. É egoísta desejar que permaneçam sempre perto de nós, para nosso prazer e bem-estar. Em vez disso, alegre-se, porque foram chamados a progredir rumo à libertação da alma, no ambiente novo e melhor de um mundo astral.

A tristeza da separação faz com que a maioria das pessoas chore por algum tempo; depois, esquecem. Mas o sábio sente a necessidade de buscar, no coração do Eterno, os entes queridos desaparecidos. O que os devotos perdem na vida finita, reencontram no Infinito.

O Amor Infinito corre pelos labirintos da vida e da morte, para levar-nos à terra onde resplandece em todo seu fulgor, pois o amor sobrevive até à morte. O Amor Cósmico tem que destruir as janelas das mentes amorosas mortais, para poder mostrar Sua verdadeira forma. A lua ri de todos os amantes que juraram amor eterno ao ser amado. Seus crânios juncam as sepulturas; e agora não podem nem falar um com o outro.

Todavia, o Amor Cósmico diz: “Que a lua e o destino riam dos amantes humanos – mas não podem rir de mim. Sou eu quem destrói sua prisão de ossos e espalha os restos mortais em túmulos, porque o homem mortal quer me encarcerar para sempre em um corpo. Todavia, embora tenha quebrado os templos corpóreos dos amantes, deixando que seu amor fosse escarnecido, quis apenas induzir suas almas a seguir a trilha do sofrimento, até encontrarem meu esconderijo no seio de todo o espaço. Aqui, todos os que amam os seres humanos e as outras criaturas descansarão para sempre comigo, em felicidade eterna e sempre nova. É meu Amor imorredouro que buscam no amor paterno, conjugal, fraterno, patriótico, social e divino.”

O Amor Divino diz a cada um: “Eu lhe dou muitos objetos de amor, para que não ame apenas um objeto, e sim aprenda a me amar por trás de tudo. Se você me ama, conseguirá me ver em todos os seres; se me ama, não o faz apenas em um ser, mas em todos. Lembre, se ousar tentar aprisionar-me em uma alma, destruirei a estrutura que a contém – até que você aprenda a me encontrar em todos os seres de minha criação.”

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Trechos da Bíblia: Versão de João Ferreira de Almeida
Trechos da Autobiografia de um Iogue: Tradução oficial                    Rio de Janeiro – Cópia 2004/05/08\11/14/17