Serviço de Leitura de Sábado

Self-Realization Fellowship

CENTRO DO RIO DE JANEIRO

 

 

LEITURAS PARA SERVIÇOS
ENSINAMENTOS DE PARAMAHANSA YOGANANDA

 

O IDEAL DE UMA EDUCAÇÃO EQUILIBRADA
IDEALS FOR A BALANCED EDUCATION

 

Volume I/24

Rio de Janeiro 11 de agosto de 2018

 

AFIRMAÇÃO

Exijo minha herança divina e compreendo, intuitivamente,
que todo o poder e toda a sabedoria já existem em minha alma.

 (Meditações Metafísicas)

  

PASSAGEM DA BÍBLIA – EVANGELHO DE SÃO MARCOS

Depois entraram em Cafarnaum e, logo no sábado, foi ele ensinar na sinagoga. Maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas.

(Marcos 1: 21-22)

Comentário da Bíblia por Paramahansa Yogananda

Em todos os lares, as pessoas – adultos e crianças – devem guardar um dia por semana para a prática de silêncio total. O sábado pode ser um dia muito mais interessante, em completa e extasiada comunhão com Deus. Não existe felicidade maior do que comungar com a alegria divina, encontrada na meditação profunda. Não é suficiente manter a si e a seus filhos longe do cinema e de outras diversões só porque é sábado – todos devem meditar, mergulhando na ventura maior do êxtase divino – essa é a verdadeira observância do sábado.

 

PASSAGEM DO BHAGAVAD-GITA

Esta passagem ressalta que todos precisam de uma educação equilibrada, isto é: treinamento material, intelectual e espiritual.
“Todas as criaturas nascem mergulhadas na ilusão, ó Arjuna! Pois estão sujeitas ao desejo e ao ódio – o par de opostos que surge de maya.” (VII:27)

 

Comentário do Gita por Paramahansa Yogananda

A pessoa que está sonhando é influenciada, desde o início, pela natureza agradável ou desagradável do sonho. Do mesmo modo, assim que um ser humano nasce em determinada parte do sonho cósmico, começa a ter reações emocionais. Contemplando os elementos oníricos contrários, conhece desejos e aversões. Essa sujeição aos estados opostos de maya, desde o nascimento, é o “pecado original”.

A pessoa que olha através de uma janela limpa e, depois, olha por uma janela suja, na primeira verá, claramente, os objetos externos em suas cores originais. Na segunda janela, tudo ficará mais obscuro, como se a luz tivesse diminuído. Igualmente, de acordo com o caráter bom ou mau de seu próprio drama onírico, o homem é afetado de modo positivo ou negativo.

O fato de nascer no corpo físico é, em si mesmo, um sinal de que o homem ignora ser uma alma, não tendo percebido ainda sua identidade como Espírito sem forma definida (os mestres são exceções e aqui retornam por determinação divina, para guiar seus irmãos vacilantes). O próprio fato de respirar indica que estamos em maya. Assim, desde o início, as crianças são expostas à ilusão cósmica e crescem sob seu jugo, indefesas. Deus apresenta primeiro a ilusão, e não a Si mesmo, para que se desenvolva o enredo dramático da criação. Se Ele não se cobrisse com os véus de maya, não existiria o Jogo Cósmico da criação, no qual o ser humano brinca de esconder com Deus, tentando encontrá-Lo como um Grande Prêmio.

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A NECESSIDADE DE EDUCAR COM AMOR

Na Autobiografia de um Iogue, Paramahansa Yogananda relata uma de suas visitas ao famoso botânico Luther Burbank.

 – Além do conhecimento científico, o segredo para melhorar o cultivo das plantas é o amor.

Luther Burbank pronunciou estas palavras de sabedoria enquanto caminhávamos lado a lado em seu jardim de Santa Rosa, na Califórnia.

A filhinha adotiva de Burbank veio ao jardim, brincando ruidosamente com seu cão.

– Ela é minha planta humana – Luther acenou carinhosamente para a menina. – Vejo a humanidade agora como uma vasta planta que precisa, para suas mais altas realizações, apenas de amor, bênçãos naturais do amplo ar livre e de hibridação e seleção inteligentes. No decurso de minha própria existência, observei progressos tão maravilhosos na evolução vegetal que aguardo com otimismo um mundo sadio e feliz, assim que seus filhos aprendam os princípios da vida simples e racional. Devemos retornar à natureza e ao Deus da natureza.

– Luther, você gostaria muito de minha escola de Ranchi, com aulas ao ar livre e uma atmosfera de alegria e simplicidade.

Minhas palavras tocaram o ponto sensível do coração de Burbank: a educação infantil. Assediou-me com perguntas, o interesse cintilando em seus olhos serenos e profundos.

– Swamiji – disse, finalmente – escolas como a sua são a única esperança para a nova era. Revolto-me contra os sistemas educacionais de nossa época, separados da natureza e sufocando toda individualidade. De alma e coração, compartilho seus ideais práticos em educação.

Ao despedir-me do amável sábio, ele autografou e me ofereceu um pequeno livro.

– Aqui está meu livro O treinamento da planta humana – disse. – Novos tipos de treinamento são necessários: experiências destemidas. Às vezes, as tentativas mais audaciosas conseguiram fazer surgir o que havia de melhor nas flores e nos frutos. Também as inovações educacionais para crianças deveriam tornar-se mais frequentes, mais corajosas.

Li o pequeno livro naquela mesma noite, com intenso interesse. Sua visão era a de um futuro glorioso para a raça humana, quando escreveu:

“A coisa viva mais teimosa do mundo, a mais difícil de dobrar, é uma planta que já tenha certos hábitos fixos (…) Lembre-se de que essa planta preservou sua individualidade ao longo das eras; talvez seja uma planta cuja existência atravessou o tempo e remonta às próprias rochas, nunca tendo variado muito durante estes vastos períodos. Você supõe que, depois de todas essas eras de repetição, a planta não se tornou possuidora de uma vontade, se assim se pode chamar, de uma tenacidade sem paralelo? Na verdade, há plantas tão persistentes, como certas palmeiras, que nenhuma força humana conseguiu modificar. A vontade humana é fraca, se comparada à vontade de uma planta. Mas veja como a teimosia de uma vida inteira da planta se enfraquece simplesmente se misturarmos uma nova vida a ela, trazendo, com a hibridação, uma mudança completa e poderosa em sua vida. Então, quando ocorre esta mudança, e ela é fixada mediante gerações de paciente supervisão e seleção, a nova planta toma seu novo rumo para jamais voltar ao antigo; sua vontade tenaz foi domada e finalmente mudada.

Quando se trata de algo tão sensível e maleável como a natureza de uma criança, o problema fica imensamente mais fácil.”

(Autobiografia de um Iogue)

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AS PROFUNDEZAS DA SABEDORIA

As profundezas da sabedoria percorres.
És a razão em mim.
Caminhas, despertando
cada pequenina e preguiçosa célula do cérebro
para receber, incontáveis vezes,
a dádiva que a mente e os sentidos oferecem –
o conhecimento que Tu me dás.

Pensarei e raciocinarei;
não Te importunarei pedindo pensamentos;
mas guia-me, quando a razão se enganar,
levando-a corretamente à meta final.

(Afirmações Científicas de Cura)

 

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O IDEAL DE UMA EDUCAÇÃO EQUILIBRADA
Paramahansa Yogananda

 (Trechos da Autobiografia de um Iogue e de outras obras)

Sempre acalentei, no coração, o ideal de uma educação correta para a juventude. Em minha própria formação vi, claramente, o árido resultado da instrução comum, que só visa o desenvolvimento do corpo e do intelecto. Os valores morais e espirituais, sem cujo entendimento nenhum homem pode chegar à felicidade, ainda não constavam dos programas acadêmicos. Decidi, então, fundar uma escola onde os meninos pudessem se desenvolver até atingir plena estatura adulta. O primeiro passo foi dado com sete alunos em Dihika, pequeno vilarejo de Bengala.

Um ano depois, em 1918, graças à generosidade de Sir Manindra Chandra Nundy, marajá de Kasimbazar, pude transferir o grupo, que aumentava rapidamente, para Ranchi. Essa cidade, em Bihar, a 320 quilômetros de Calcutá, é abençoada com um dos climas mais saudáveis da Índia. O palácio de Kasimbazar passou a ser o prédio principal da nova escola, que denominei Yogoda Satsanga Brahmacharya Vidyalaya.

Vidyalaya quer dizer escola. Brahmacharya, aqui, refere-se a uma das quatro fases no plano védico para a vida humana, que inclui: (1) o estudante celibatário (brahmachari); (2) o chefe de família com responsabilidades mundanas (grihastha); (3) o eremita (vanaprastha); e (4) o que se retira para a floresta, ou andarilho, livre de todas as preocupações mundanas (sannyasi). Esse plano ideal de vida, embora não seja amplamente observado na Índia moderna, ainda tem muitos seguidores sinceros. As quatro fases são religiosamente cumpridas sob a orientação permanente de um guru.

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Como muitos outros sábios, meu mestre, Sri Yukteswar, lamentava a tendência materialista da educação moderna. Poucas escolas ensinam as leis espirituais da felicidade, ou enfatizam que a sabedoria consiste em levar a vida no “temor a Deus”, isto é, respeitando o Criador.

Os jovens de hoje, que aprendem no segundo grau e na universidade que o homem é apenas um “animal superior”, tornam-se, muitas vezes, ateus. Não fazem nenhum esforço para explorar a alma, nem se consideram, em sua natureza essencial, “imagens de Deus”. Emerson observou: “Só conseguimos ver fora de nós o que já trazemos em nosso interior. Se não encontramos deuses, é porque não abrigamos nenhum.” Quem imagina que sua natureza animal é a única realidade está separado das aspirações divinas.

Um sistema educacional que não apresenta o Espírito como Fator central da existência humana está oferecendo Avidya, ou falso conhecimento. “Pois dizes: estou rico e abastado, e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu.” (Apocalipse 3:17)

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 A necessidade de escolas que ensinem a viver

Uma vez que a sabedoria suprema – aprender tudo que pode ser conhecido, utilizando as faculdades humanas ao máximo – é a meta da humanidade, por que não aprender a arte de viver corretamente? Por que não tomar as medidas adequadas para criar escolas que ensinem a viver; onde se aprenda a arte de desenvolver equilibradamente todas as facetas da natureza humana?

Vejo as escolas bem organizadas como jardins, onde almas-bebês crescem e são cultivadas. Os jardineiros devem ser bem selecionados, recebendo a cooperação dos pais e do público. Os professores jamais devem ser negligenciados, pois são formadores de almas. Os cuidados e o alimento espiritual que uma planta humana recebe no início da vida determinam, em geral, o seu desenvolvimento posterior.

Temos que começar pelas crianças, mas não devemos esquecer dos adultos. A flexível mente infantil pode ser moldada de muitas formas, com a ajuda de adultos disciplinados e equilibrados. É possível criar, facilmente, hábitos desejáveis nas crianças, porque nelas a vontade de realizar é geralmente livre, exceto por algumas tendências inatas. Os adultos precisam lutar e expulsar os maus hábitos, antes de acomodar os bons. Porém, em adultos ou crianças, todos os bons hábitos devem ser cultivados com vontade espontânea. Ao treinar as crianças para uma vida equilibrada, ou para que se habituem a dar igual atenção ao sustento e à conquista da felicidade espiritual, temos que levar em consideração o tempo e o método de treinamento adequados.

As pessoas se descontrolam e ficam alucinadas pelo dinheiro e transações comerciais, mas isso só acontece quando não tiveram oportunidade de cultivar hábitos para uma vida equilibrada. Nossa vida não é regida por pensamentos passageiros, nem por idéias brilhantes, e sim pelos hábitos simples e rotineiros. Existem alguns executivos, ocupadíssimos, que ganham milhões, mantendo a calma e o autocontrole, enquanto outros ficam tão envolvidos no processo material que não conseguem pensar em mais nada, e só “acordam” quando algo terrível lhes acontece, como uma doença ou a perda de toda a felicidade.

Sinceramente, louvo o atual sistema educacional americano, com seus métodos cada vez mais aperfeiçoados de treinamento intelectual e, até certo ponto, físico. Mas não posso deixar de mencionar seu principal defeito: a falta de uma base espiritual, que precisa ser suplementada com treinamento moral e espiritual. O garoto que pertence intelectualmente à classe A, ou que se destaca nos esportes, atrai a atenção com muita frequência, sendo incentivado por professores e colegas – mas quase ninguém repara ou o aconselha, se ele estiver levando uma deficiente vida moral ou espiritual que se enquadre na classe D.

Entretanto, onde está a escola que adote medidas definidas para desenvolver a natureza do ser humano como um todo, ensinando a verdadeira arte de viver e preparando-o para enfrentar as diversas provas menores e, em última instância, o exame final da vida? Necessitamos, com urgência, desse tipo de escola, que ensine a arte e a ciência do desenvolvimento integral.

Devemos aprender princípios espirituais

Educadores, desportistas, pregadores, reformadores, médicos e legisladores só conseguirão acelerar o progresso da verdadeira civilização quando eles próprios aprenderem, antes de tudo, a desenvolver harmoniosamente todos os fatores da vida e da natureza humana e, só então, ensiná-los aos outros. Essa é a verdadeira educação e a cultura integral que o mundo busca.

Autoridades educacionais consideram impossível ensinar princípios espirituais nas escolas públicas, porque confundem-nos com as várias formas divergentes de crenças religiosas. No entanto, se se concentrassem nos princípios universais de paz, amor, serviço ao próximo, tolerância e fé, que regem a vida espiritual, e se criassem métodos práticos para cultivar essas sementes no fértil solo da mente infantil, a dificuldade imaginária desapareceria. É um grande erro ignorar este problema, só porque parece difícil de resolver.

Muitos formandos saem da universidade com a cabeça pesada, repleta dos livros que tiveram que ler, e são incapazes de caminhar em linha reta pela vida, porque as pernas da vontade e do autocontrole estão quase totalmente paralisadas pela falta de uso. Seguem adiante aos tropeços, caindo nas armadilhas de um casamento errado, do abuso do sexo, da ambição desmedida por dinheiro e do fracasso profissional, porque não aprenderam a usar as lâminas mentais da inteligência, afiadas na universidade, a não ser para ferir a si mesmos.

Vários psicólogos dizem que os últimos períodos da vida não são nada mais do que a repetição do treinamento que recebemos dos dois até os dez ou quinze anos de idade.

Sermões espirituais podem inspirar as mentes infantis a agirem melhor – mas nada além disso. Para queimar as sementes de hábitos pré-natais, alojadas no consciente e no superconsciente, é necessária uma disciplina prática e real. Só se pode fazer isso erradicando das células cerebrais as sementes dos hábitos, com a eletricidade da introspecção.

Quando, com o autocontrole da meditação, o devoto desliga astralmente a força vital dos nervos sensórios, esta começa a fluir internamente, passando a focalizar a luz opalina no ponto entre as sobrancelhas. A sabedoria humana deve cultivar estas energias – o fluxo astral, o fluxo interno das percepções espirituais, a luz interior do olho espiritual – pois, do contrário, as faculdades da alma continuarão dormentes, em estado degradante de subdesenvolvimento.

Os adultos da época atual devem acordar

Está nas mãos dos adultos da época atual a tarefa de elevar a futura geração, encaminhando-a para uma vida equilibrada. Enquanto os mais velhos permanecerem inebriados apenas com a vida material, a juventude continuará frustrada em suas esperanças. Deste modo, para salvar o mundo de amanhã, salvando as crianças, os adultos de agora devem acordar e cultivar hábitos equilibrados de vida material e espiritual.

Vamos perceber os verdadeiros valores da vida – a realidade. Não nos deixemos iludir pela aparente realidade da matéria e das coisas visíveis – aquilo que não é do Espírito. Em vez disso, vivamos a vida com coração e consciência elevados à região da Realidade espiritual, onde temos certeza do caminho, e onde tomamos posse da verdadeira herança como filhos de Deus.

Para percorrer o caminho precisamos permanecer, constantemente, com o pensamento em Deus. Devemos trabalhar, sentir alegria e servir com Ele, contemplando-O em cada objeto e pessoa que encontramos. Ame a todos os seus entes queridos, e desfrute de sua companhia vendo o Espírito neles, vendo Deus em todos. Lembre, sempre, que são manifestações divinas. Você e eles são Espírito; o Espírito ama o Espírito.

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Trechos da Bíblia: Versão de João Ferreira de Almeida
Trechos da Autobiografia de um Iogue: Tradução oficial                    Rio de Janeiro – Cópia 2004/05/08\11/14/17

 

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