Serviço de Leitura de Sábado

Self-Realization Fellowship

CENTRO DO RIO DE JANEIRO

 

 

LEITURAS PARA SERVIÇOS
ENSINAMENTOS DE PARAMAHANSA YOGANANDA

 

COMO DESEMPENHAR SEU PAPEL NA VIDA
HOW TO FULFILL YOUR ROLE IN LIFE

 

Volume II/25

Rio de Janeiro, 13 de julho de 2019

 

AFIRMAÇÃO

Hoje abro a porta da tranquilidade, para que o anjo do silêncio possa entrar suavemente no templo de todas as minhas atividades. Repleto de paz, cumprirei todos os deveres com serenidade.

(Meditações Metafísicas)

 

PASSAGEM DA BÍBLIA – EVANGELHO DE SÃO MARCOS

Depois entraram em Cafarnaum e, logo no sábado, foi ele ensinar na sinagoga. Maravilharam-se da sua doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade, e não como os escribas.

 (1:21-22)

Comentário da Bíblia por Paramahansa Yogananda

Um sábado bem aproveitado em silêncio, meditação e pensamento criativo proporciona à alma mais harmonia e paz, além de força física e mental. Essa renovação interna permite que se use o discernimento para o maior progresso possível, não só no plano físico, como também no mental e no espiritual. Quem trabalha compulsivamente, sete dias por semana, permite que a alma seja governada pela atividade mecânica. E ao deixar de guiar a alma com livre arbítrio, discernimento e paz, a pessoa facilmente se torna uma ruína física e mental, perdendo a felicidade espiritual.

Deve-se cultivar a calma, tanto no silêncio e na reclusão quanto na atividade, a fim de gerar paz e felicidade constantes. Para ser pacífico e sempre divinamente inebriado, é necessário pagar o preço, que é dedicar o tempo necessário ao cultivo da paz.

 

PASSAGEM DO BHAGAVAD-GITA

Está livre (de karma) o homem de ação que recebe tudo com alegria, que está acima da dualidade, que não tem inveja e que vê com equanimidade tanto o êxito quanto o fracasso.

(IV:22)

 

Comentário do Gita por Paramahansa Yogananda

Um yogue sempre permanece tranquilo, quer enfrente o sucesso, quer o fracasso, no decurso do cumprimento de seus deveres. Tanto o êxito, quanto as falhas, certamente surgirão em várias ocasiões da vida, em resposta à dualidade existente na estrutura do corpo, da mente e do mundo. O devoto que se mantém em contato com a alma quase não é tentado a se identificar com as ilusões físicas e mentais.

O devoto fervoroso deve manter a alma pura, sem se deixar contaminar pela consciência de dualidade, própria do corpo. É uma prática difícil, pois a alma, simpatizando com o amigo físico, que é sensível e exigente, adquire características próprias, boas e más. Para libertar a alma da identificação com os estados variáveis do corpo, o devoto é incentivado a não cooperar mentalmente com a consciência de dualidade física e mental, que traz sofrimento. O homem mundano fica alegre com as coisas que dão prazer e deprimido durante o reinado da dor; o devoto bem-sucedido está sempre calmo por dentro, não sendo afetado pelas várias agitações que constituem o estado “normal” da vida.

Na alegria ou na dor, o yogue permanece concentrado na bem-aventurança da alma; ao contrário do homem mundano, tem inteligência suficiente para conservar a alegria e a serenidade em qualquer circunstância, física ou psicológica, favorável ou desfavorável. É capaz de se compadecer dos que sofrem, sem se deixar abater pelo sofrimento; assim, com alegria interior, ele consegue, muitas vezes, remover o sofrimento alheio. Com seu exemplo de calma, ensina às pessoas mundanas a não cederem a reações emocionais.

O sábio vê o Espírito em tudo. Livre de anseios pessoais e de qualquer vontade de gratificar desejos egoístas, fica satisfeito em receber o que vem naturalmente para atender às necessidades do corpo, da mente e da alma. Eleva-se acima do bem e do mal, pois ambos escravizam. Não possui consciência de “eu” e “meu” e não sente inimizade por ninguém, contemplando a todos no Espírito único. Alcançando o Supremo, é indiferente aos sucessos ou fracassos do mundo. Não tem consciência da dualidade, tendo encontrado a Unidade. Executando seus deveres para Deus, está sempre desapegado e livre.

* * *

 

A INABALÁVEL COMPOSTURA DOS SANTOS

No mundo, sempre existem aqueles que, segundo o poeta Browning, “não toleram a luz, sendo, eles próprios, obscuros”.

Às vezes, um desconhecido, exaltado por alguma ofensa imaginária, censurava severamente Sri Yukteswar. Meu imperturbável guru ouvia atenta e cortesmente, analisando a si mesmo para ver se havia algum traço de verdade na acusação. Estas cenas me recordavam uma das observações inimitáveis do meu Mestre: “Algumas pessoas tentam ser altas cortando a cabeça das outras”.

A compostura infalível de um santo impressiona mais do que qualquer sermão: “Quem demora a se encolerizar é superior ao poderoso; e quem domina seu espírito é maior que o conquistador de uma cidade.”1

Com frequência, refleti que meu majestoso Mestre poderia ter sido, facilmente, um imperador ou um guerreiro que teria feito tremer o mundo, se houvesse concentrado sua mente na fama ou nas conquistas terrenas. Em vez disso, escolhera investir contra as cidadelas da raiva e do egoísmo, cuja queda significa a ascensão humana.

(Autobiografia de um Iogue)

A descrição que Paramahansa Yogananda faz da compostura de seu guru, Swami Sri Yukteswar, poderia se aplicar a ele próprio. O dr. M.W.Lewis, falecido vice-presidente da Self-Realization Fellowship, relata o seguinte episódio:

“Muitas vezes levei meus problemas a Paramahansaji, mas jamais consegui perturbar a sua tranquilidade. Lembro-me de ter dito, numa dessas ocasiões: ‘Como é que o senhor consegue ter tanta coragem e convicção?’ Ele respondeu: ‘Doutor, não esqueça que o mesmo Pai que me protege também protege o senhor. Ele é nosso Pai comum.’ Esse pensamento tem sido uma fonte de inspiração em meu caminho espiritual.”

 

* * *

 

SOU REI

Sou rei de mim mesmo, e não um rei escravizado por posses ilusórias.
Não possuo nada, embora seja soberano de meu próprio e imperecível reino de paz.
Deixei de ser escravo do temor de possíveis perdas.
Nada tenho a perder.
Sento-me no trono da satisfação perene.
Sou rei.

(Meditações Metafísicas)

YOGA É SERENIDADE
Paramahansa Yogananda

Yoga é desempenhar todas as ações com serenidade. A pessoa que mantém a calma, enquanto cumpre todas as atividades, é um yogue.

O devoto não deve se concentrar, com apego, no resultado das atividades mundanas ou da meditação, e sim permanecer indiferente quanto a seu êxito ou fracasso. Executar uma ação, sem se preocupar com o resultado, produz o equilíbrio mental denominado yoga. Esse estado de tranquilidade se torna um altar para o Espírito.

O homem mundano pratica todas as ações concentrando-se nos resultados, e é afetado tanto pelas falhas quanto pelos sucessos. Trabalhando para si mesmo e não para Deus, ele se rejubila com o êxito e se deprime com o fracasso. A mente apegada aos parcos frutos dos atos, que surgem de limitadas atividades materiais ou da meditação, não consegue sentir o onipresente Espírito cósmico, que está consciente do universo inteiro.

A pequena mente do pequeno homem, apegado a coisas pequenas, é incapaz de se identificar com a consciência universal de Deus. Assim como um espelho que treme não reflete adequadamente os objetos, também a mente agitada por pensamentos de sucesso ou fracasso não consegue refletir o profundo e imutável Espírito. Embora a alma humana seja um verdadeiro reflexo do Espírito, ao se identificar constantemente com coisas materiais ou com perturbações mentais, não consegue espelhar o Divino imutável.

Desempenhe as atividades com a mente em Deus

O devoto deve desempenhar suas atividades com a mente absorta em Deus. Aquele que executa todas as ações desta maneira está no estado de libertação, da mesma forma que o Pai Celestial, ao trabalhar em toda a criação, não está apegado ou preso a ela. A consciência do Senhor se manifesta em todos os estados de criação, preservação e destruição – embora permaneça inalterada. Assim como Deus, no cosmos, não é perturbado pela variedade, também o homem, feito à Sua imagem, deve aprender a trabalhar e desfrutar do drama cósmico com a mente perfeitamente serena e equilibrada.

Embora dotado de livre-arbítrio, muitas vezes o homem faz mau uso de sua independência, identificando-se com o corpo transitório. Ele deve treinar a mente a permanecer afastada da inquietude, mantendo-se na percepção da imutabilidade. O indivíduo comum, por causa da inquietude, só percebe o tumulto do universo. Aquele que segue a arte da yoga (calma interior) percebe o imutável Espírito.

 Equilibre atividade com meditação

O aspirante espiritual deve contrabalançar a atividade material, que produz inquietude, com a meditação espiritual, que produz calma. Precisa aprender a cumprir deveres materiais e a meditar com serenidade mental, sem esperar vantagem material ou espiritual e sem se perturbar com o fracasso material ou espiritual.

Atividades materiais ou espirituais, feitas com apego (sem equilíbrio mental), não produzem felicidade duradoura. O bhogi, (aquele que se deleita com os prazeres dos sentidos) cujos atos são influenciados por apegos pessoais e materiais, colhe a infelicidade. O yogue, que permanece desapegado, meditando ou desempenhando atividades externas, sente a alegria sempre nova do Espírito.

Cada pessoa é uma parte de Deus. Nenhum ser humano deve se comportar como um animal, identificado com sua natureza inferior. Deve manifestar seu verdadeiro ser divino. O Senhor trabalha em toda a criação com tranquilidade interior; também o homem deve desempenhar todas as atividades, sereno e desapegado de tudo. Assim, recorda seu verdadeiro Ser, unindo-se a Deus.

O significado da yoga

A palavra yoga significa a serenidade mental resultante da comunhão da mente com o Espírito. Yoga também quer dizer a técnica espiritual de meditação que leva à união com o Espírito, ou qualquer ato que leve à união com o Espírito.

Serenidade mental é o estado original da alma. O homem comum, que se identifica com o mundo, isola sua consciência da união com o Espírito. A solução está em executar todas as ações e permanecer, interiormente, unido à alegria da alma. A consciência divina está no estado de yoga ou de serenidade perene, não afetado pelas mudanças da criação. O homem, feito à imagem de Deus, deve aprender a manifestar calma interior divina, de modo a viver no mundo sem se incomodar com as mudanças.

Aquele que tenta eliminar tendências de encarnações passadas para obter liberdade espiritual, e não para sua satisfação egoísta, agrada a Deus e finalmente se liberta, por não ter sucumbido às compulsões cármicas. A pessoa que tenta eliminar o karma passado com o pensamento de agradar a Deus compreende, afinal, as sutis diferenças entre os deveres inspirados pelas próprias tendências egoístas do passado e os deveres determinados por Deus. Este indivíduo alcança a serenidade.

Eleve-se acima das provas e dos testes

Entregue-se a Deus. Não transgrida as leis divinas; seja razoável. Não seja fanático por nada. Não queira se livrar de todas as situações difíceis; esteja preparado para enfrentar qualquer tipo de prova ou teste.

Controle as sensações do corpo, se quiser saber a diferença entre mente e matéria. Você pode controlar os resultados das sensações pelo poder mental. A sensação não é parte da mente, a não ser que esta aceite as vibrações sensoriais. A dor é a maior das ilusões. Você sente dor porque está apegado ao corpo. Dormir ou não, comer ou não, ter conforto ou desconforto – não deveria fazer diferença. Eleve-se acima de tudo isso. Não estou dizendo que deve ser imprudente, mas tente, gradualmente, suportar mais, à medida que seu poder mental aumentar.

É muito revelador observar, ao longo do dia, se você consegue ou não manter a continuidade da calma. Seus músculos, sentidos, desejos e a incompreensão alheia – tudo contribui para perturbar a tranquilidade da alma. Uma pessoa calma reflete serenidade no olhar, grande inteligência no rosto e adequada receptividade na mente; é também capaz de atitudes firmes e decisivas. Não é movida por impulsos ou desejos externos. Já uma pessoa inquieta é como uma marionete, dançando por instigação dos desejos emocionais que surgem das tentações provenientes dos outros.

Não importa se você trabalha devagar ou velozmente; procure fazê-lo sempre a partir de um centro de tranquilidade. Tente não trabalhar, nem agir, com a mente intranquila. Todos os deveres devem ser cumpridos com paz, calma, autocontrole, inteligência e concentração profunda.

Se você mantiver a decisão de jamais perder a paz, pode alcançar a divindade. Ser controlado por estados de ânimo é ser parte da matéria. Mantenha, interiormente, uma câmara secreta de silêncio, onde não é permitida a entrada de alterações de humor, provas, tristezas ou outras desarmonias. Se puder ter uma câmara de paz dentro de você, onde nenhum ódio ou desejo o incomode, então Deus o visitará. Embora você tenha que permanecer no mundo, não seja do mundo. Os verdadeiros yogues conseguem falar e interagir com as pessoas, embora tenham a mente completamente absorta em Deus.

1 Provérbios 16:32

 

* * * * * *

Trechos da Bíblia: Versão de João Ferreira de Almeida
Trechos da Autobiografia de um Iogue: Tradução oficial                    Rio de Janeiro – Cópia 2004/05/08\11/14/17

 

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS
O material Self-Realization Fellowship Readings (Leituras para serviços da Self-Realization Fellowship) foi selecionado de publicações da SRF, com reserva de direitos autorais da Self-Realization Fellowship. Este material não pode ser traduzido para nenhum outro idioma, reproduzido sob qualquer forma ou distribuído, sem autorização da Self-Realization Fellowship, 3880 San Rafael Avenue, Los Angeles, Califórnia 90065, EUA.

Observação: esta é uma tradução não-oficial. Não foi revista nem aprovada pela Sede Central.