Serviço de Leitura de Sábado

Self-Realization Fellowship

CENTRO DO RIO DE JANEIRO

 

 

LEITURAS PARA SERVIÇOS
ENSINAMENTOS DE PARAMAHANSA YOGANANDA

 

A MAIS TENTADORA DAS TENTAÇÕES
THE MOST TEMPTING TEMPTATION

 

Volume II/40
Rio de Janeiro, 09 de novembro de 2019

 

 

AFIRMAÇÃO

Ensina-me, ó Espírito, a distinguir entre a felicidade duradoura da alma e os prazeres temporários dos sentidos. Ensina-me a não me deixar envolver pelos prazeres sensoriais efêmeros. Ensina-me a disciplinar meus sentidos, para que sempre me façam verdadeiramente feliz. Ensina-me a substituir a tentação sensorial pela fascinação maior da felicidade da alma.

(Meditações Metafísicas)

 

PASSAGEM DA BÍBLIA – EVANGELHO DE SÃO LUCAS

Saindo, foi, como de costume, para o Monte das Oliveiras; e os discípulos o acompanharam. Chegando ao lugar escolhido, Jesus lhes disse: Orai, para que não entreis em tentação. Ele, por sua vez, se afastou cerca de um tiro de pedra, e de joelhos, rezava.

(22:39-41)

 

Comentário da Bíblia por Paramahansa Yogananda

Com estas palavras, Jesus quis dizer que toda alma é livre para ouvir a voz satânica da tentação dos desejos ou a voz divina da consciência. Cristo alerta os discípulos para que não deixem a vontade ser influenciada e dominada pela ilusão de maya. Ele usa a palavra “tentação” para indicar o estado mental de uma pessoa inebriada por impulsos malignos prejudiciais; a pessoa acredita que isso lhe traz felicidade e fica tão cega por esse pensamento, que não consegue perceber em que tipo de ação está seu bem maior e a felicidade genuína e duradoura.

Quando Jesus disse: “Não entreis em tentação”, quis dizer que não é o impulso mau, ou Satanás, que faz as pessoas sucumbirem à tentação, e sim que cada indivíduo é livre, para sucumbir ou rejeitar a tentação. Do mesmo modo, cabe a cada pessoa, por meio de sua consciência, aceitar ou rejeitar as recomendações divinas.

Nem Deus nem o diabo podem influenciar uma pessoa, se ela não quiser se deixar influenciar. Deus é mais tentador do que qualquer tentação que tenha criado, e tenta influenciar o livre-arbítrio do ser humano com a beleza da bondade e com a sabedoria, a felicidade e o poder que há nisso. Satanás, por sua vez, tenta influenciar o homem com a promessa da felicidade dos sentidos que, invariavelmente, trazem tristeza em vez de alegria. Às vezes, maya primeiro dá um pouco de felicidade sensorial a suas vítimas, e, no final, muitos sofrimentos são o resultado.

 

PASSAGEM DO BHAGAVAD-GITA

Ó Arjuna! Disciplina primeiro os sentidos e depois destrói o desejo, o pecaminoso aniquilador da sabedoria e da Autorrealização.

 (III:41)

 

Comentário do Gita por Paramahansa Yogananda

O devoto autodisciplinado, que não é escravo das desordenadas exigências – por exemplo – de seu servo gustativo, o apetite, verá que o desejo por comida permanecerá normal, obediente à sabedoria. Se, porém, ceder ao desejo constante de comer, criará um estado artificial, no qual o desejo negativo é repetidamente alimentado com novos atos de gulodice. Os sentidos foram dados ao ser humano para servi-lo; quando, porém, ele alimenta a insaciável demanda sensorial, descobre que o amo está dominado pelos escravos.

Os atos dos sentidos criam hábitos sensoriais que, por sua vez, criam desejos sensoriais. Esse círculo vicioso tem de ser evitado. Assim, deve-se bloquear as tentações efêmeras e fascinantes dos sentidos, primeiro com o afastamento dos objetos da tentação e, depois, utilizando a chama do discernimento, para aniquilar as tendências internas que nos levam a cair em tentação.

Quanto maior a complacência para com os sentidos, mais urgente e crescente será o desejo de alimentá-los. À medida que aumentam os desejos sensoriais, como tenazes ervas daninhas, eles asfixiam o crescimento das ervas curativas do discernimento e da autorrealização provenientes da meditação. A matéria existe externamente e o Espírito internamente; o primeiro existe em oposição ao segundo. À medida que o desejo de exteriorização cresce, diminui o desejo discriminativo de interiorização. A concentração de tentações sensoriais destrói, automaticamente, a visão do Espírito, simplesmente porque ambos existem em esferas diversas; os caminhos da matéria e do Espírito seguem direções opostas.

Para se libertar do poder escravizador dos sentidos, o indivíduo voraz, irritado e sensual deve, primeiro, evitar o ambiente físico que estimula facilmente sua fraqueza psicofísica específica e, então, matar os desejos internos que, de outro modo, o acompanharão onde quer que vá. Os desejos inimigos devem ser arrancados dos esconderijos do subconsciente, e destruídos pelos agentes antagônicos da percepção espiritual, desenvolvida na meditação. Quanto maior a consciência de bem-aventurança duradoura, menor o desejo de efêmeros prazeres sensoriais.

É provável que você possa fugir facilmente das tentações externas, mas poderá escapar da viva imagem interior dos hipnóticos olhos da tentação, criados e mantidos dentro de você mesmo?

Não aumente o volume das águas lamacentas do desejo na taça da vida, com novas indulgências sensoriais. Banhe-se diariamente no sol ardente da meditação e, com o tempo, as águas dos desejos materiais se evaporarão.

 

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O SANTO QUE CAIU EM TENTAÇÃO E DEPOIS ALCANÇOU A LIBERTAÇÃO

Certo dia, Paramahansa Yogananda contou aos discípulos a história de um santo que se desviou do caminho mais elevado, por exibir publicamente seus poderes milagrosos. “Mas ele logo percebeu o erro e voltou para seus discípulos. No fim de sua vida, era uma alma completamente livre”, disse Paramahansaji.

Um devoto perguntou: “Senhor, como foi possível que ele se reerguesse tão rapidamente? Não será o castigo cármico mais duro para um homem que cai de um estado de grande progresso, do que para uma pessoa comum, que erra por pura ignorância? Parece estranho que o santo indiano não tenha precisado esperar muito tempo para a libertação final.”

O Mestre sorriu e sacudiu a cabeça, dizendo: “Deus não é um tirano. Se um homem se acostumou a uma dieta de néctar, ficaria infeliz se tivesse de comer queijo rançoso. Se pedisse desesperadamente o néctar de novo, Deus não recusaria o pedido.”

(Assim falava Paramahansa Yogananda)

 

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ABENÇOA-ME, PARA QUE MEUS CINCO SENTIDOS SÓ ENCONTREM O BEM

Abençoa-me, ó Senhor, para que eu só veja o bem e a pureza. Protege-me, para que eu só ouça palavras inspiradoras e a beleza dos cânticos devocionais. Dá-me Tua graça, ó Perfumado Espírito, para que eu só inspire as fragrâncias que me façam lembrar de Ti. Que eu só prove alimentos simples e saudáveis. Que tudo que eu toque traga à minha alma a lembrança de Teu contato santificador.

(Sussurros da Eternidade)

 

 

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A MAIS TENTADORA DAS TENTAÇÕES
Paramahansa Yogananda

Pecar significa praticar ações erradas, que destroem a felicidade da alma. O pecado é a transgressão contra a própria felicidade espiritual – a bem-aventurança divina que a alma encontra na meditação. Pecado é tudo que faz o homem esquecer-se de Deus.

Todos os desejos humanos devem ser transmutados e dirigidos a Deus; não se deve permitir que os desejos sensoriais iludam a imagem da alma divina no ser humano. A tentação é um pensamento ilusório, compulsivo, conflitante e ávido de alegria, que deve ser usado para tentar buscar a verdade que traz a felicidade, e não o erro que produz sofrimento. Embora Deus tenha criado a consciência, a consciência viciada no homem se afasta de Deus, tentando induzir a alma a se concentrar nos prazeres transitórios dos sentidos.

Por meio da experiência, do autocontrole e da sabedoria, aprendemos a diferença entre os pequenos e efêmeros encantos do mundo e os vastos e infinitos encantos de Deus. No entanto, sempre que tentamos evitar a tentação, encontramos pessoas que tentam nos desviar do caminho divino. O homem comum é facilmente iludido pelas artimanhas de maya. Os desejos mortais nos afastam de Deus. Se entregarmos todos os desejos ao Senhor e cumprirmos nossos deveres só para agradá-Lo, voltaremos automaticamente para Ele.

A necessidade de autocontrole

Um das coisas mais impressionantes que meu Mestre Sri Yukteswar costumava me dizer era: “aprenda a se comportar”. Jamais conseguirei agradecer o suficiente por isso. Descobri, entretanto, que é muito difícil saber se comportar. As leis divinas ensinam que, quando você quer vencer algo, precisa saber por que deseja fazer isso. Além de abandonar o que quer vencer e manter distância, expulse também o pensamento, assim que o tiver. É preciso conquistar a mente.

Se você transferir a mente da consciência mundana dos sentidos para a consciência de Deus, será um vencedor. Toda conquista está na mente. Pergunte-se: “Sou um rei ou um escravo dos sentidos? Sou rico em paz divina ou pobre interiormente?”

Não seja vítima do excesso. Desfrute das coisas, mas não se apegue a elas. Seja agradável e mantenha o autocontrole. Não seja escravo dos hábitos; aja sempre segundo suas legítimas convicções. Para alcançar a consciência cósmica, é necessário possuir autocontrole e elevar-se acima da dualidade. Aprenda a suportar tudo sem qualquer tipo de agitação ou perturbação mental.

A liberdade vem por meio do autodomínio

Fazer o que se quer não é ter liberdade, e sim abusar dela. Só somos livres quando seguimos as leis do autodomínio. A única verdadeira liberdade é ser guiado pela sabedoria para fazer, livremente, o que deve ser feito. Sem realização divina, temos pouca liberdade: a vida passa a ser governada por impulsos, caprichos, hábitos, mudanças de humor e pelo meio ambiente. Depois que os hábitos físicos começam a governar a mente, é difícil fazer o corpo obedecer às ordens da vontade. É por isso que as pessoas cronicamente gordas não conseguem se livrar facilmente da gordura, mesmo que façam dieta. As células inteligentes já formaram hábitos próprios: isto quer dizer que não respondem instantaneamente aos comandos mentais, como seria o caso se tivessem sido treinadas para obedecer, e não ignorar, as forças mentais superiores. Essas forças têm o poder de governar o corpo, se forem treinadas e exercitadas corretamente.

Um bom hábito é seu melhor amigo; já um mau hábito é um inimigo mortal. Portanto, cuidado ao repetir uma ação, que pode se tornar um hábito antes que você perceba. O hábito passa a ser uma segunda natureza; isso, porém, pode ser mudado, se houver persistência em praticar boas ações.

Seguindo os conselhos de um guru e aceitando sua disciplina, aos poucos você se libertará da escravidão dos sentidos. Liberdade significa poder agir guiado pela alma, e não compelido por desejos e hábitos. Obedecer ao ego conduz ao cativeiro; obedecer à alma traz liberdade.

Se você se apegar demais aos objetos da vida, esquecerá Deus. É por isso que perdemos as coisas de que mais gostamos. Elas nos são tiradas pela lei cósmica, não para nos punir, mas para testar se amamos essas pequenas coisas mais do que o Infinito.

Para evoluir de alguma maneira, você deve primeiro seguir o espírito crístico universal e os mestres. Isso não quer dizer que você tenha de ser pregado numa cruz para se tornar igual a Cristo, e sim que todos os desejos inúteis precisam ser crucificados. Significa que você quer Deus antes de qualquer outra coisa. Algumas pessoas buscam primeiro as dádivas divinas, mas os sábios buscam a Deus, que é quem nos dá tudo.

Quando você só quiser o Doador, e não suas dádivas, Ele virá. Deus lhe deu o livre-arbítrio e a força de vontade, para que você possa experimentar e conhecer a diferença entre as dádivas menores do mundo e a dádiva maior da presença divina. Quando entender que só deve ser tentado pela bem-aventurança de Deus, então você será um vencedor.

A alegria da meditação

O modo mais eficaz de vencer a tentação é compará-la com a alegria da meditação. A tentação não quer dizer apenas cometer um erro sob o ponto de vista material; também significa esquecer a alma, por estar envolvido demais com o corpo e seus confortos. Isso também é tentação.

Não importa quantas cordas amarrem seus pés; não importa quantos pecados você tenha cometido. Lembre-se do seguinte: No momento em que sentir, no coração, que a felicidade encontrada no templo do silêncio é a mais tentadora, você será livre. Quando tiver essa alegria, já estará livre. A liberdade e a alegria só podem surgir por meio da determinação pessoal.

 

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Trechos da Bíblia: Versão de João Ferreira de Almeida
Trechos da Autobiografia de um Iogue: Tradução oficial                    Rio de Janeiro – Cópia 2004/05/08\11/14/17

 

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