Serviço de Leitura de Sábado

Self-Realization Fellowship

CENTRO DO RIO DE JANEIRO

 

 

LEITURAS PARA SERVIÇOS
ENSINAMENTOS DE PARAMAHANSA YOGANANDA

 

 

COMO ALCANÇAR A PERFEIÇÃO DIVINA
ASCENDING TO PERFECTION IN GOD

 

Volume III/27

Rio de Janeiro, 1 de agosto de 2020

 

 

AFIRMAÇÃO

Ó poderoso Oceano, oro para que os rios de meus desejos, que serpenteiam por incontáveis desertos de dificuldades, possam, finalmente, desaguar em Ti.

(Meditações Metafísicas)

 

PASSAGEM DA BÍBLIA – EVANGELHO DE SÃO MATEUS

A doutrina da reencarnação também é encontrada nos ensinamentos da Bíblia cristã. Paramahansa Yogananda, interpretando as palavras de Jesus Cristo à luz da verdade da reencarnação, nelas revelou novo esplendor e grandeza.

Quando vier o Filho do homem na sua Majestade, e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória. E todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas. E porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda.

Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.

(…)Então o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. (…) E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna.

(25:31-34, 41, 46)

Comentário da Bíblia por Paramahansa Yogananda

A Inteligência Crística, presente em toda a criação vibratória, é capaz de discernir o estado de todos os seres humanos, bons e maus, na Terra. E quando, no estado pós-morte, os seres sobem ao mundo astral, são julgados de acordo com o merecimento ou desmerecimento que têm. Os virtuosos ficam livres e são elevados à Consciência Crística. E os outros, devido a seus maus atos, são mandados de volta a uma encarnação na Terra, lugar de perpétuo sofrimento onde o fogo dos desejos insaciáveis está sempre a arder.

A libertação só acontece quando os seres encontram a Consciência Crística em si mesmos, e quando realmente tentam discernir a presença divina no próximo. Quem nunca medita não consegue sentir a presença de Cristo em seu interior, e jamais percebe que Jesus também está presente em todos os seres oprimidos e acometidos pelos testes. Assim, sem conseguir encontrar o Cristo interior, têm, após a morte, de retornar à Terra, lugar de ilusão perpétua e de castigo contínuo, onde os desejos insaciáveis e o mau karma sempre crescente alimentam constantemente a chama do sofrimento.

É preciso compreender que quando Jesus mencionou o fogo eterno preparado para o demônio e seus anjos, e quando falou da danação eterna, não quis dizer que havia um lugar especial na região celeste, onde as almas são condenadas à prisão perpétua e ao castigo pelo conjunto de transgressões e virtudes de uma vida – que dura menos de cem anos! O ser humano é feito à imagem de Deus e, mesmo infringindo as leis por um longo tempo, não pode ser atirado no calabouço da punição eterna.

Seres humanos cruéis e vingativos, que gostariam de castigar seus inimigos para sempre, tendem a pensar que Deus envia os transgressores para o inferno eterno, pelos erros de uns poucos anos. Isso é impossível, pois todas as almas, por mais pecadoras que sejam, têm, em si, a imagem divina perfeita, e recebem repetidas oportunidades de regressar à Terra. Aqui reencarnam para resgatar o karma, até chegar ao estágio em que se lembram e compreendem que são imagens perfeitas de Deus, tornando-se finalmente livres.

Durante esse tempo, por causa dos incessantes desejos terrenos, as almas criam e alimentam as chamas que as queimam. Embora não exista, nos céus ou embaixo da terra, um lugar em que as almas sofram prisão perpétua pelas más ações, as palavras “danação eterna” descrevem a Terra, onde reencarnam seres humanos imperfeitos. Em virtude da presença constante da ilusão cósmica, nosso planeta é um lugar de sofrimento eterno ou, pelo menos, contínuo.

Portanto, reflita sobre a exortação de Jesus a todos os devotos. Não acolha a ignorância e os desejos terrenos, para não continuar a reencarnar nesta ilusória Terra, que produz tantos sofrimentos.

 

PASSAGEM DO BHAGAVAD-GITA

A doutrina da reencarnação é ilustrada nesta passagem do Bhagavad Gita.

Assim como um indivíduo abandona suas roupas surradas e coloca roupas novas, também a alma encarcerada no corpo deixa para trás uma morada física em decadência, entrando em uma nova casa.

 (II:22)

Comentário do Gita por Paramahansa Yogananda

Esta passagem explica a doutrina da reencarnação, eliminando o horrível conceito de uma “dança macabra”, na qual uma multidão heterogênea de seres humanos é arremessada a um precipício de destruição. Aqui, a morte é descrita como nada mais do que a troca de uma roupa usada pela nova. É uma prática comum os seres humanos mudarem frequentemente de roupa; da mesma forma, é um hábito da alma substituir corpos velhos por novos. Quando o corpo envelhece e fica imprestável, a alma o abandona por um novo disfarce.

A duração de uma vida, ou a durabilidade do corpo físico, é determinada pelas leis do karma (lei de causa e efeito que rege as ações humanas). A alma, como imagem do Espírito, é imortal, mas a alma identificada com o corpo acaba por se enredar nos sonhos realistas de vida e morte.

Para recuperar sua consciência espiritual de imortalidade, o ser humano leva muito tempo e precisa de boas companhias, da ajuda de um guru, do despertar interno, da sabedoria e da meditação. Assim como o ser humano muda de roupa muitas vezes durante a vida, também a alma eterna, durante suas voltas pelo caminho da ilusão e dos desejos mortais, desfaz-se muitas vezes de seu velho corpo consumido pelo karma, trocando-o por um novo.

 

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A VISITA DIVINA DE SRI YUKTESWAR
(Autobiografia de um Iogue)

Paramahansa Yogananda disse que as encarnações anteriores de uma pessoa são um dos maiores segredos de Deus. Para os verdadeiros devotos, Ele retira, às vezes, os místicos véus que ocultam encarnações passadas. O seguinte trecho encerra a maravilhosa história da visita que Sri Yukteswar, ressuscitado, fez ao discípulo Paramahansa Yogananda em Bombaim, em 1936.

Durante as duas horas que passou comigo no quarto de hotel em Bombaim, Sri Yukteswar respondeu todas as minhas perguntas. Certas profecias sobre o mundo, feitas por ele naquele dia de junho de 1936, já se cumpriram.

“Agora devo ir, bem-amado! (…) Meu filho.” Sua voz ressoou, vibrando no próprio firmamento de minha alma. “Sempre que você entrar pela porta de nirbikalpa samadhi e me chamar, virei, como hoje, em carne e osso.

Com esta promessa celestial, Sri Yukteswar desapareceu de minha vista.(…)

Fora-se a tristeza da separação. A dor e o pesar por sua morte, que por tanto tempo me roubaram a paz, fugiram envergonhados. A bem-aventurança jorrava como fonte, através de poros infinitos, recém-abertos na alma. No dilúvio do êxtase que me transportava, os poros da alma, antes obstruídos pelo desuso, agora se alargavam, purificados. Em sequência cinematográfica, minhas encarnações anteriores apareceram diante do olho interno. Todo o bom e o mau karma do passado foram dissolvidos na luz cósmica derramada sobre mim durante a divina vista do Mestre.

 

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O TÉRMINO DA JORNADA

Tropeçando nos sinuosos caminhos de dúvidas, atravessando quiméricos abismos de milenares separações, correndo pelas pistas de incontáveis vidas, perseguindo os passos de muitas ambições, livrando-me dos redemoinhos de tristeza e prazer, finalmente cheguei ao término da jornada.

Observo, com alegria, as lutas passadas: de cada pedra de agonia que já se foi, agora jorra uma fonte de venturosas lágrimas. Nas sagradas águas das lágrimas de amor por Ti, diariamente eu me batizo.

(Sussurros da Eternidade)

 

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COMO ALCANÇAR A PERFEIÇÃO DIVINA
Paramahansa Yogananda

Reencarnar significa que a alma precisa passar por muitas vidas no plano terreno. É como as séries, pelas quais temos de passar na escola, antes da “formatura” na perfeição imortal de Deus. Almas que vivem em estado imperfeito, isto é, inconscientes de sua identidade divina com o Espírito, não entram automaticamente no estado de realização divina, após a morte do corpo físico. Somos feitos à imagem de Deus porém, por causa da identificação com o corpo, assumimos as imperfeições e limitações físicas. Enquanto a imperfeita consciência humana de mortalidade não for removida, não poderemos voltar a ser deuses.

Certo príncipe fugiu do palácio para viver numa favela. Por usar substâncias tóxicas e andar em más companhias, perdeu a noção de sua verdadeira identidade. Somente quando seu pai o encontrou e o levou de volta para o palácio é que ele lembrou que, na realidade, era um príncipe.

Da mesma forma, somos todos filhos do Rei do Universo, e fugimos de nosso lar espiritual. Estamos presos em corpos humanos há tanto tempo que esquecemos nossa linhagem divina. Sempre que voltamos à Terra, desenvolvemos novos desejos e imperfeições. Por isso continuamos a voltar, até terminar todos os desejos ou, então, até que eliminemos tudo, com o aumento da sabedoria. No entanto, pouquíssimas pessoas saem da roda das reencarnações tentando satisfazer seus desejos, pois é da natureza do desejo que, toda vez que seja satisfeito, a ânsia de repetir a experiência simplesmente aumenta o seu poder, a menos que a mente da pessoa seja muito forte.

Em relação aos desejos pequenos e insignificantes, é melhor satisfazê-los, pois assim nos livramos deles. Mas é preciso usar sabedoria e discernimento, pois, do contrário, até os pequenos desejos podem voltar com intensidade maior, reforçados pelas experiências. Por exemplo: com frequência, pessoas que sentem o desejo de beber “raciocinam” da seguinte maneira: “Vou beber tudo que quiser hoje, e amanhã vou parar!” Depois de repetir muitas vezes a decisão tomada, o que normalmente acontece é que o hábito já se instalou e, então, é difícil vencê-lo. O mesmo acontece com qualquer outro desejo forte.

Deus não é um ditador que nos colocou aqui para ficar dando ordens. Ele nos deu o livre-arbítrio, para fazermos o que quisermos. Escutamos muito falar sobre a importância da bondade. Mas, se todos vamos direto para o céu quando morremos (como alegam alguns), de que adianta tentar fazer o bem enquanto estamos aqui?

Se existe a mesma recompensa para tudo no fim da vida, por que não ser ganancioso e egoísta, já que o caminho do mal muitas vezes é o mais fácil? Não faria sentido tentar imitar a vida dos grandes santos, se todos – bons e maus – tivessem a certeza de se transformarem em anjos após a morte.

Por outro lado, se o plano divino é mandar todos para o inferno, também não adiantaria preocupar-se com o comportamento que se adota na vida. De que valeria vigiar nossas atitudes, se a vida fosse como a de um carro – que, depois de velho, é jogado na pilha de sucata e ali acaba? Se é isso que a vida humana representa, é inútil ficar lendo escrituras sagradas ou praticar o autocontrole.

Além do mais, se a vida encerra um propósito elevado, como explicar a aparente injustiça de um bebê que nasce morto? E as pessoas que nascem cegas, mudas ou aleijadas? E as que vivem só alguns anos e morrem? Só quem vive muito é que tem tempo para lutar contra as tendências e desejos errados trazidos do passado, e procurar ser bom. Se não existe outra oportunidade (uma vida futura) para um bebê que morre com seis meses de idade, por que Deus deu um cérebro a essa criança e nenhum tempo para desenvolver sua potencialidade? O fator tempo é importantíssimo em nosso progresso. Apenas uma vida talvez não ofereça tempo suficiente.

Se uma criança morre cedo, há uma razão para isso; como não teve bastante tempo para se expressar, é necessário que lhe seja dada outra oportunidade. É como um garoto doente que não pode ir à escola. Ele não deixa de ir para sempre; assim que ficar bom, recomeçará as lições do ponto em que as deixou. O mesmo acontece com a vida: se não temos chance de aprender nossas lições nesta vida, teremos oportunidade em outra.

Quando você puder ver “nos bastidores”, perceberá que a vida na Terra é um teatro de marionetes. Parece real agora, mas o que experimentamos neste momento terá a irrealidade de um sonho, daqui a alguns anos. E o que estamos experimentando agora teria parecido irreal há cinco anos, se nos tivesse sido descrito naquela ocasião. No domingo passado, muitos de vocês estavam aqui no templo, sentados em outros bancos, com pensamentos diferentes dos de agora. Hoje, estamos assistindo a um filme diferente. Pensem em quantos conhecidos seus já desapareceram do palco terreno!

O conceito da vida como um espetáculo mutável e passageiro não é pessimista: deveria ensinar-nos a não levar a vida a sério. Maya, ou a ilusão cósmica, faz com que sintamos que o corpo é muito real e que é uma parte muito necessária de nosso ser. No entanto, o corpo pode, a qualquer momento, ser subtraído da alma pela morte, e isso não dói nada. Quando termina a “operação”, você não precisa mais de tempo, roupas, alimento ou abrigo, pois não é mais necessário carregar o fardo físico da carne. Está livre dele e continua sendo você mesmo.

Já pensou por que esta verdade permanece oculta? E onde estão os milhões de pessoas que já partiram da Terra? Será que somos como frangos numa granja – quando nos tiram da gaiola, somos substituídos por outros? Haverá um meio de desvendar o mistério?

Nossa maneira de viver esta vida determina o que seremos na próxima

Recebemos o poder de refletir sobre nossa origem e destino, mas não nos empenhamos o suficiente em nos auto-analisar e analisar o modo como vivemos. Se o fizéssemos, o bom senso diria que nosso caráter atual continuará o mesmo após a morte – talvez melhore ou piore um pouco, dependendo do esforço que fizermos para melhorar. Você vive 365 dias por ano, todos os anos, e pode até ter feito algum progresso; mas, após a morte, sua natureza será a mesma de antes. Ela não fica para trás, junto com o corpo físico. Se você tiver temperamento violento, continuará igual até superar isso.

Se, na vida atual, você observar as leis da vida saudável, na próxima encarnação terá um corpo saudável. O último período da vida é mais importante do que o primeiro, pois o que você é no fim da vida é o que será no início da próxima.

Em geral, a primeira parte da vida é desperdiçada com bobagens, num estado meio confuso. Depois vem o amor e, por último, a doença e a velhice; então começa a luta contra o corpo. Criei a expressão “remendar a vida”, para descrever como temos de estar sempre consertando e remendando o corpo para mantê-lo funcionando. O corpo está sempre dando trabalho: falta uma “vela”, ou fura um “pneu”; você tem uma dor de cabeça ou pega um resfriado; o estômago não vai bem; os dentes lhe dão trabalho; e assim por diante. Problemas e mais problemas! Por isso, é necessário compreender que você não é o corpo com todas as suas dores e males, e sim uma alma imortal.

Eu não levo a vida a sério, nem um pouco. Digo: “Pai, quando quiseres separar esta alma do corpo, está bem para mim. Enquanto desejares me manter aqui, tudo bem; mas, se eu tiver de abandonar o corpo, também está tudo bem.” Não é preciso morrer para resgatar a liberdade do apego ao corpo. Se você comungar com Deus, verá que já é livre. Você não é o corpo – é o Espírito eterno.

As escrituras hindus dizem que leva um milhão de anos para a alma se libertar. Portanto, espera-se pouca mudança de uma vida para outra, no homem comum. Entretanto, a evolução espiritual pode ser definitivamente apressada, pelo esforço determinado de viver corretamente e com a ajuda de um verdadeiro guru.

Acima de tudo, aprenda o mais que puder nesta vida, e empenhe-se em obter as notas mais altas em desenvolvimento espiritual, na escola da vida. Comungue com Deus. Se conseguir fazer isso, serão perdoadas as deficiências de todas as notas mais baixas. Para se libertar do karma que o prende aos deveres menores da vida, desenvolva a consciência e a sabedoria de Deus.

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Trechos da Bíblia: Versão de João Ferreira de Almeida
Trechos da Autobiografia de um Iogue: Tradução oficial                    Rio de Janeiro – Cópia 2004/05/08\11/14/17

 

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