Serviço de Leitura de Sábado

Self-Realization Fellowship

CENTRO DO RIO DE JANEIRO

 

 

LEITURAS PARA SERVIÇOS
ENSINAMENTOS DE PARAMAHANSA YOGANANDA

 

COMO CURAR A INTOXICAÇÃO PSICOLÓGICA
CURING PSYCHOLOGICAL INTOXICATION

 

Volume II/8

Rio de Janeiro, 16 de março de 2019

 

AFIRMAÇÃO

Pai Celestial, ensina-me a encontrar a liberdade em Ti, para que eu saiba que nada na Terra me pertence; tudo pertence só a Ti. Ensina-me a saber que meu lar é Tua onipresença.

(Meditações Metafísicas) 

 

PASSAGEM DA BÍBLIA – EVANGELHO DE SÃO LUCAS

Então Jesus, no poder do Espírito, regressou para a Galiléia, e a sua fama correu por toda a circunvizinhança. E ensinava, sendo glorificado por todos.

Indo para Nazaré, onde fora criado, entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o seu costume.

(4:14-16)

 

Comentário da Bíblia por Paramahansa Yogananda

Ir à igreja regularmente aos domingos desenvolve o hábito de pensar em Deus, ou em religião, ao menos uma vez por semana.

Quando atos materiais ou espirituais são repetidos com assiduidade, diária ou semanalmente, acabam por criar hábitos fisiológicos e, como consequ

ência, psicológicos. Comer adequadamente, esforçar-se para ter sucesso no trabalho, ir à igreja ou meditar regularmente – cada ato destes cria um hábito específico. A maioria das pessoas é governada pelos hábitos venenosos e negativos do materialismo, e o único antídoto para isso é a adoção de bons hábitos espirituais.

Maus hábitos não podem ser banidos pela simples vontade de erradicá-los. Muitas pessoas se perguntam por que, apesar do desejo constante de se livrarem de hábitos prejudiciais, são arrastadas, mesmo assim, pela corrente de repetidas ações erradas. Querer não basta. Deve-se usar força de vontade, não apenas uma ou duas vezes, mas sim de modo contínuo e repetido; só então podemos esperar nos livrar dos maus hábitos. Portanto, para vencer hábitos errados, é preciso manter uma atividade correta e constante.

Conhecendo a lei do hábito, que governa a natureza humana, Jesus deu o exemplo, indo à sinagoga no sábado.

   

PASSAGEM DO BHAGAVAD-GITA

Foi dito (pelos sábios) que o fruto das boas ações (sattva) é harmonia e pureza. O fruto das ações emocionais (rajas) é a dor, e o fruto da inércia (tamas) é a ignorância.

(XIV:16)

 

Comentário do Gita por Paramahansa Yogananda

A atividade correta leva à felicidade. As ações mundanas, cheias de egoísmo, trazem, em última instância, dor e desilusão. As más ações, praticadas continuamente, destroem o discernimento e a compreensão do ser humano.

Por que o homem mundano comete atos que produzem pouca alegria e muitos problemas? A resposta é: “hábito” – um dos fatores mais poderosos no destino humano. Muitas pessoas, embora saibam que existe sofrimento envolvido, continuam a adotar práticas prejudiciais em razão da ferrenha influência do hábito.

O camelo come a sarça, apesar de sua boca sangrar. O homem obcecado pelo sexo cede ao mesmo, embora sua saúde seja prejudicada. O alcoólatra bebe até morrer, pois ignora o incomparável néctar da alma em seu próprio interior. O ganancioso destrói a felicidade procurando ter cada vez mais dinheiro, sem saber que, se meditasse sinceramente por algum tempo, receberia alegrias eternas, que nenhum ouro pode comprar.

É por isso que as pessoas mundanas, a despeito do sofrimento inerente aos apegos materiais, continuam a ser mundanas; e é por isso que as pessoas más continuam seguindo o caminho anormal, afundadas em uma vida sem sentido. Não conseguem imaginar a alegria maior que há nas atividades normais do mundo, nem a alegria superior existente nas ocupações nobres e nos estudos da alma. Esses seres caem em ignorância cada vez mais profunda, encontrando sádico prazer em machucar a si mesmos e aos outros.

Os homens sofrem, não só por causa dos maus hábitos, mas também por sua inexperiência na vida espiritual. Todos podem mudar e melhorar a vida, andando em boas companhias e meditando sobre Deus, que é a Origem de tudo.

 

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“UM SANTO É UM PECADOR QUE NUNCA DESISTIU”
Do livro “Assim Falava Paramahansa Yogananda”

– Estou muito enredado em meus erros para fazer qualquer progresso espiritual – um estudante confidenciou, tristemente, a Paramahansaji. – Meus maus hábitos estão tão arraigados que o esforço para erradicá-los me deixa esgotado.

– Será que amanhã você conseguirá combatê-los melhor do que hoje? – perguntou o Mestre. – Por que somar os erros de hoje aos de ontem? Um dia você terá que se voltar para Deus; não é melhor fazer isso agora? Entregue-se a Ele e diga: “Senhor, bom ou mau, sou Teu filho. Tens que cuidar de mim.” – E acrescentou: – Se você continuar tentando, melhorará. Um santo é um pecador que nunca desistiu.

 

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TU ÉS O PRAZER QUE PROCURAMOS
Paramahansa Yogananda

Pai, Mãe, Amigo, Amado Deus! Bons ou maus, queremos a Ti. Todas as nossas decepções, fraquezas e maus hábitos não podem mais nos impedir de Te procurar, pois o poder de nosso amor por Ti é maior.

Destrói os hábitos enxertados em nossa árvore de vida eterna. Colhemos a orquídea dos prazeres, que cresce na árvore da vida humana, e a depositamos a Teus pés.

Tu és o único prazer pelo qual ansiamos em todas as atividades humanas. É o esplendor de Tua glória e a luminosidade de Teu ser que procuramos.

 

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COMO CURAR A INTOXICAÇÃO PSICOLÓGICA
Paramahansa Yogananda

A pessoa que bebe demais forma um hábito pernicioso. Se não se esforçar para vencer o vício da bebida, poderá tornarse alcoólatra e sofrer, impotente, do desejo incontrolável de beber sem parar, sem como nem porquê. É frequente os alcoólatras crônicos gastarem tudo que têm em bebida: comem muito pouco e parecem alimentarse do próprio álcool. Perdem também o senso normal de responsabilidade, no sentido de manter a saúde e ter uma posição respeitável na família, na sociedade e no mundo. Eventualmente, podem perder todo o senso de dignidade e acabar por serem recolhidos, completamente bêbados, em um lugar qualquer – na sarjeta ou no meio da rua – expostos ao perigo de roubo ou atropelamento.

Depois destes comentários sobre alcoolismo, pode-se entender o que quero dizer com o termo “alcoolismo mental”. A classificação de alcoolismo ou vício mental pode ser subdividida, segundo as fraquezas específicas. Assim, podemos ter alcoólatras ou viciados mentais em raiva, medo, sexo, sadismo, inveja, ódio, passividade, burrice e em jogar ou roubar.

Traços pré-natais 

Quando uma pessoa apresenta, desde pequena, ataques incomuns de raiva, medo ou ciúme – ou de qualquer uma das características citadas mais acima – podemos ter certeza de que adquiriu esses hábitos mentais anormais em uma vida anterior.

Sempre que os pais notarem qualquer tendência psicológica negativa, mesmo na infância, devem impedir imediatamente a criança de se tornar uma alcoólatra mental, tratando de mudar seu ambiente e de colocá-la sob a orientação de instrutores espirituais.

Por meio de muitos anos de boas companhias e ambientes adequados, um alcoólatra mental pode se libertar do poder tentacular do mal inato. Ao mesmo tempo em que recebe cuidadosa atenção, em um ambiente positivo, também deve ser alertado sobre as consequências maléficas de seus maus hábitos; deve usar a lógica e fazer um grande esforço para não demonstrar esses hábitos, em nenhuma circunstância. Qualquer tolerância com um hábito mental adquirido antes do nascimento só o torna cada vez mais forte, até que a pessoa fica, literalmente, sua escrava.

Um falso conceito

 Tanto o homem irascível, quanto o guloso e o sexual, acabam por esquecer sua posição e relações sociais e cometem graves erros, que arruínam a própria vida e a vida alheia. Muitos alcoólatras mentais acham que terão alívio se derem livre expressão a seus nocivos hábitos psicológicos. Mas o hábito autocomplacente de se entregar aos maus impulsos é extremamente prejudicial, pois é pela repetição das expressões negativas que alguém se torna um viciado mental crônico e se presta aos maiores vexames, em qualquer hora e lugar.

Quando as crianças são expostas a um ambiente negativo enquanto ainda têm a mente maleável, desenvolvem maus hábitos que, se não forem controlados, podem levar ao alcoolismo mental crônico. Os pais que notarem uma súbita mudança no filho – por exemplo: alguém que antes era calmo, de repente se transforma em uma criança sempre irritada – devem cuidar disso imediatamente. É preciso conversar com o filho e convencê-lo a se livrar do mau hábito, para evitar que o vício se torne crônico.

Aqueles que normalmente demonstram alguma das características mencionadas são alcoólatras, ou viciados, mentais. Imprudentemente, deixam-se levar pelas torrentes dos maus hábitos, destruindo sua felicidade, ao mesmo tempo em que, indefesos, mas por vontade própria, dão vazão à expressão descontrolada de seus piores traços. Não é aconselhável repreender alcoólatras mentais que demonstrem, com frequência, atitudes de aversão e tédio em relação ao mundo. Tal comportamento resulta de cederem continuamente aos maus hábitos. Devem ser tratados como pacientes psicológicos que sofrem de uma doença mental crônica.

Influências neutralizantes

O viciado mental em raiva deve conviver com pessoas que não se zangam nem nas circunstâncias mais irritantes. O indivíduo viciado em sexo deve conviver com pessoas de autocontrole; os que são facilmente tentados a roubar devem se cercar de pessoas honestas, que compreendam essa falha e queiram ajudar a erradicá-la. Os viciados em timidez crônica devem se ligar a pessoas corajosas e ler histórias heróicas. Indivíduos instáveis, desdenhosos ou rabugentos devem conviver com pessoas habitualmente alegres.

Mudar de companhia é o melhor remédio para o alcoolismo mental agudo de qualquer tipo, pois os viciados mentais descobrem que a vontade é escrava do hábito e, assim, desenvolvem pouca ou nenhuma resistência ao mal. O melhor remédio é levá-los imediatamente ao ambiente específico que pode servir de antídoto para sua condição mental tóxica.

Um alcoólatra mental crônico também deve lembrar que comer carne (especialmente carne bovina e suína) e sofrer de prisão de ventre agrava o alcoolismo mental, fixando-o ainda mais no cérebro. A abundância de frutas e verduras na dieta e um dia de jejum de suco de frutas por semana – com jejuns mais longos, ocasionalmente – são elementos de grande ajuda para alterar os sulcos cerebrais que dão abrigo aos hábitos perniciosos.

A indulgência sexual prejudica o sistema nervoso e as células cerebrais e, portanto, acentua a raiva no alcoólatra mental. O abuso do sexo destrói a força de vontade. Portanto, todos os alcoólatras mentais precisam aprender a controlar os impulsos sexuais.

Ditadores mesquinhos

Muitas vezes, descobrimos que os que sustentam uma família – o pai, a mãe, o filho ou a filha – apresentam certa tendência ao alcoolismo mental, porque sabem que estão em posição de comando. Esses mesquinhos ditadores familiares não devem descarregar o mau humor em dependentes inocentes e indefesos, assim perdendo o respeito interior dos que os cercam. Quando um déspota familiar acha que pode fazer, impunemente, o que bem entende em casa, também começa a fazer o que bem entende fora de casa, expressando seus traços negativos ou um temperamento desagradável. Cedo ou tarde, acaba por agir assim sempre, em qualquer lugar. Se esses tiranos mesquinhos não se controlarem, evitando hábitos sádicos, aos poucos se tornarão alcoólatras mentais, apresentando um comportamento imaturo que causará dificuldades inenarráveis aos que lhes são próximos, ou até mesmo a conhecidos ocasionais.

Não contamine os outros

Se você é um viciado mental, tente curar-se; enquanto isso, pelo menos evite contagiar ou influenciar os outros. Pois, quer consiga, quer não, provavelmente causará ainda mais problemas a si mesmo. Pense no caos que seria se, de repente, alguém jogasse um gambá em sua pacata residência, onde você estava meditando, silenciosa e pacificamente, ou lendo um livro perto da lareira. Sem dúvida, você e todos ao seu redor tentariam expulsar o gambá e, assim, acabariam ficando impregnados daquele odor químico. Tanto a família quanto o gambá sofreriam.

Portanto, não seria inteligente, por parte do gambá, entrar em um ambiente onde não é desejado. Com toda probabilidade, criará problemas para todos à sua volta e, no final, será duramente tratado. Não esqueçam de que um gambá humano, que carrega a terrível vibração mental do mau humor e tem tudo isso refletido no rosto, causa um dano incalculável a ambientes tranquilos, e é um bípede indesejado em todos os lugares.

É até melhor esconder o alcoolismo mental do que ceder à sua influência em público. A contínua degradação no vício é o terreno no qual o alcoolismo mental floresce, seja ele pré ou pós-natal. O indivíduo pré-natalmente disposto ao vício deve ser duplamente cuidadoso, evitando viver em ambientes que reguem as sementes inatas dos maus hábitos ou das instabilidades psicológicas.

É claro que, quando encontra uma pessoa que o trata formalmente, dizendo com um sorriso artificial no rosto: “como vai, é um prazer vê-lo”, enquanto pensa: “com muito prazer eu cortaria sua cabeça por vir me incomodar”, você percebe esse sentimento e não gosta disso. Pessoalmente, eu gosto de saber a quantas ando com os outros. Prefiro uma pessoa rude a uma hipócrita. Ninguém gosta de se arriscar a enfrentar o bote da serpente da falsidade escondida atrás de uma roseira de sorrisos.

Entretanto, é melhor para um viciado mental ser amistoso, mesmo que hipócrita, do que expressar livremente seu temperamento detestável. O autocontrole praticado diariamente, mesmo em coisas insignificantes, aos poucos ajudará o alcoólatra mental a sair da embriaguez de sua autocomplacência.

 

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Trechos da Bíblia: Versão de João Ferreira de Almeida
Trechos da Autobiografia de um Iogue: Tradução oficial                    Rio de Janeiro – Cópia 2004/05/08\11/14/17

 

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